CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

ESCREVER PARA VIVER





Aos olhos de todos, João era um ser comum; jovem simples de família modesta, que com muitos sacrifícios, conseguiu galgar seus objetivos: estudar e conquistar um emprego digno. Bom moço, pensava em ajudar aos seus pais, que tinham por ele tanto zelo.

A mão de Deus acariciou os objetivos de João e seus sonhos foram realizados. Conseguiu formar-se, tornando-se professor de Língua Portuguesa e, para sua grande alegria, especializou-se em sua área. Profissional dedicado, sempre dando o melhor de si para contribuir com sua parcela no mundo, que parecia ser habitado por seres bem diferentes de João. Muitas vezes ele se sentia indo em direção contrária a maioria das pessoas com quem cruzava.

Mesmo assim, ele continuava firme em seus propósitos.

João possuía uma mente extremamente inquieta que o perturbava. A palavra paz, às vezes, encontrava sinônimo no dicionário de suas memórias. De resto, só inquietude! Uma busca constante, por algo ainda indeterminado por ele. Seria loucura o que adormecia e acordava em seus pensamentos? Quanta coisa gostaria de desvendar! Deveria ser um bálsamo despertar numa nuvem branquinha, mesmo após o nascer do sol. Mas, a turbulência era sua companheira constante, apenas cochilava e logo despertava num sobressalto.

Seus pensamentos muitas vezes seguiam, a passos largos, por caminhos muitos sinuosos, o que deixava a cabeça de João envolta em redemoinhos. Parecia loucura, já que se abria um vácuo entre ele e o mundo; noutras, se distanciava dele mesmo, como se a sua alma abandonasse o seu corpo. E fora de seu corpo ficava a observá-lo com certa estranheza. Como isso doía profundamente em seu coração, chegando a ficar tão amassado, que nem conseguia sangrar para aliviar a sua dor.

E, foi assim, que João começou a tingir folhas virgens com a tinta de seu coração. Quem sabe escrevendo ele passaria a compreender o seu tortuoso interior? Sua alma se derramava cada vez que corria o lápis sobre o papel. Ela parecia uma fonte inesgotável, quanto mais escrevia mais se enchia de palavras que pulavam desordenadas em busca de um lugar para repousar.

Para João, este foi o refúgio que encontrou para tentar viver, mesmo não encontrando as respostas para as indagações coladas às paredes de sua mente.

sábado, 17 de setembro de 2011

UM AMOR PARA RECORDAR




Debruçada sobre seus pensamentos Maria, abraçada às suas melhores lembranças, as acariciava. Era impossível se desfazer de cada detalhe já vivido. Portanto, a cada um lhe foi reservado um espaço perfumado com aromas diferentes. Tantos cheiros espalhados em sua mente, que a fazia sentir o gosto de cada encontro com seu amor. Um amor intenso e indesejadamente fugaz. Que escorria entre seus dedos, mesmo quando esta o agarrava com todas as suas forças.

Vislumbrando um futuro que escapa ao seu olhar, abraça, com mais força, o seu amontoado de lembranças frescas e felizes. Pois no seu íntimo sentia a dor da quase certeza de ter se fechado este ciclo de amor, que trouxe à sua vida o colorido mais intenso que a menina dos seus olhos já contemplou.

Mesmo com mãos fortes e decididas querendo quebrar este ciclo resistente, pressentia não ter forças suficientes para fazê-lo. A vida não permitiria. Este pressentimento atormentava o mais íntimo do seu ser. Era obrigada a aceitar que tudo na vida tem o seu tempo. E este já havia se cumprido, mesmo ela não querendo aceitar este fato.

Não era justo um imenso amor assim ficar apenas tatuado em lembranças. Afinal a vida pulsa em suas veias e nas dele também. E, ambos continuam apaixonados.

Distraída, Maria puxou o fio do início da meada desta história e passou a fitar um longo filme, onde ela é protagonista. Como fora feliz! Quantos risos! Quantas paradas em pontos de encantos! Quantas pontes construídas no meio de estradas sinuosas.

Um riso, cúmplice, aflorou em seus lábios. Sentia-se uma garotinha de apenas 15 anos sorvendo, em goles fartos, a sua primeira paixão. Nem se importava se já havia percorrido uma longa estrada na vida, afinal a paixão subtrai o tempo. E, este se fez tão generoso em suas mãos, nos seus momentos de amor. Tão intenso, que minutos se transformavam em séculos. Séculos de felicidades respingada nos amantes.

Amantes que um dia, sem perceber, se descobriram assim.

Era uma tarde morna de verão, ela podia vê-la pelas frestas de sua janela. Num toque singelo ao dedilhar um teclado, palavras se encontram, se tocam e enamoram-se. Passam a se procurar desajeitadas, ressabiadas, mas insistentes! E, os encontros das palavras passaram a ser rotina na vida de dois seres conectados por um fio extensivo ao coração.

A emoção se fez manto encobrindo o mundo real que os separava. Vidas distintas, árvores frutificadas e enraizadas em campos diferentes.

Mas o destino laçou-os, inseparavelmente, quanto seus olhares se tocaram. Sucumbiram aos desejos há tempos enrustidos. Suas bocas calaram o mundo de sonhos que os envolvia. Assim, o sol raiou clareando o momento e o resto de suas vidas. Era possível sentir, tocar! E, como se tocaram, trocaram juras e recantos de amor. Cada encontro, delírios de paixão! E, na circunferência da vida os pontos de encontro se tocaram, fechando um ciclo de amor.

O amor não morreu, nem morrerá, é para sempre! Permanecerá aceso no olhar, na pele, no riso que não cessa e nas lembranças que Maria acaricia.

E, será um amor para recordar.

sábado, 2 de julho de 2011




TRAVADA PELA SAUDADE


Bem sei que nos últimos meses ando meio parada. Tão quieta no meu canto. Pareço até estar escondendo-me de mim. Se é que isso pode acontecer – esconder-se de si mesmo – para não ver ou sentir o que se passa ao redor.


Mas não precisei de esforço algum para me dar essa resposta. Na verdade estou travada. Travada pela saudade que sinto de você. Sinto falta do riso em teu olhar, do beijo que me serve de combustível, do toque de tuas mãos dedilhando meu corpo. Este tão acostumado às suas carícias, que, por não tê-las, está esquecendo do sol que brilha lá fora, enquanto permaneço no escuro do meu ser vazio. Vazio de você.


Estou vivendo apenas de recordações de nós dois. Chego até a sentir o calor de nossos corpos suados de prazer, o gosto dos beijos molhados, apaixonados. Passa em minha tela do pensar o filme de uma história longa e bela que não teve a pretensão de acontecer. Mas aconteceu! Porque coração é chão que não se pisa. Portanto, não temos nenhum controle sobre ele. O que nele acontece vai muito além da razão. Pois é impossível trilhar caminhos da razão quando surge tão forte uma emoção, capaz de nos fazer flutuar com os pés no chão. Emoção que te faz rir sem um motivo aparente. Mas você rir de felicidade e de si mesmo. Vendo-se como uma adolescente que conheceu o seu primeiro amor e deixou-se roubar o seu primeiro beijo tímido. Mas sabendo que muitos outros viriam e todo seu corpo pedia por isso. Enquanto sua alma enchia-se de encantamento que escorria pelo seu olhar brilhante.
E vieram outros tantos encontros. Cada um mais especial que o outro. Encontros cheios de risos, encanto, amor... Fazendo a vida se encher de cor.



As cores persistem a cada novo amanhecer, mas a saudade se faz tão forte que trava um coração apaixonado, que almeja dividir cada segundo respirado num mesmo espaço. Porém este espaço vai se espaçando, sendo preenchido por um rio de saudades que sangra de um coração apertado sem forças para obstruir esta sangria.


E, assim a vida passa. Corre tão ligeira que muitas vezes perdemos suas rédeas e quando as encontramos, tentamos afixá-las nas mãos, como se assim o tempo amenizasse um pouco a sua carreira e possamos destravar o coração num abraço apertado, que a vida nos deve.

sábado, 6 de março de 2010

EDUCAR É POSSÍVEL



O mundo, em suas transformações, nos deixa meio perdidos. E, muitas vezes chegamos a pensar que o errado hoje é o certo. Por isso pagamos caro quando realmente adentramos o caminho ardiloso de educar.


Faço parte do quadro de gestão da Escola Estadual Prof. Hermógenes Nogueira da Costa em Mossoró/RN (Ensino Fundamental II e Médio) e, após uma longa lista de reuniões, por setores, nos preparamos para recebermos os alunos de forma bem estruturada para darmos início ao ano letivo, segunda-feira (01.03.10).


Para início de conversa, organizar uma instituição pública é uma tarefa por demais difícil. Isto porque há uma cultura de que tudo que é público é bagunçado. Discordo! Onde há pessoas capazes as instituições funcionam bem.


Portanto, como nosso objetivo é trabalharmos em equipe, tarefas foram distribuídas e, aos poucos, sendo realizadas. Embora enfrentando algumas rejeições, por parte de alguns colegas que repousam em sua zona de conforto. Puro marasmo!


A priori, cada setor precisa saber suas atribuições. O que foi repassado através de reuniões por setores, conforme citei acima. Pois a partir do momento que você recebe suas atribuições caminha fazendo a sua parte. O que é suficiente para um trabalho engajado. Ninguém precisa se sacrificar trabalhando demais quando cada um faz o que lhe compete.


Sendo assim vícios vão sendo deixados no passado e visualizamos um futuro mais comprometido com o sucesso. O que faz bem a todos. Evitando assim o desperdício de energia com a falta de ética profissional.


Ultrapassando essa barreira, vem outra bem pertinente: alguns alunos, por falta de normas estabelecidas em casa, talvez, rejeitam as regras de convivência na escola. O que demonstra o quanto é grande a nossa responsabilidade porque, hoje, fazemos o papel de professor e muitas vezes de pais.


Sabemos que a nossa geração foi educada nos padrões de repressão. Somos frutos de ditadura, aprendemos a sentar em fila nas salas de aulas, a calarmos para ouvir os mestres, etc. Entretanto, com os avanços sociais, a criação do Estatuto da Criança e Adolescente, entre outros, os pais parecem que perderam os trilhos de uma boa educação na família. Provavelmente por desconhecerem o verdadeiro sentido de liberdade, e pagam caro pela falta de limites dos filhos da era tecnológica. E, assim a escola fica com uma carga maior nesta função.


Entretanto, sabemos que os valores morais, por mais gastos que estejam ou fora de moda como dizem alguns jovens, ainda é o caminho para uma sociedade equilibrada. Cabendo então à escola fazer este resgate através de exemplos claros para facilitar a compreensão do aluno. O uso da farda, o cuidado com o patrimônio público, o respeito no trato com as pessoas são atitudes cidadãs. E vale muito a pena ser correto! Cumprir com seus deveres para poder reivindicar seus direitos.


Essa é a nossa proposta de trabalho, que já aponta resultados gratificantes. Pois é ensinando que aprendemos a cuidar bem do mundo. E, quando estamos voltados para darmos o melhor de nós por uma causa justa, até os mais insatisfeitos aprendem a valorizar atitudes saudáveis.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MELHORIAS NA EDUCAÇÃO



Há, aproximadamente, dez anos as políticas educacionais veem aplicando instrumentos avaliativos para verificar o nível do ensino público no Brasil. Instrumentos como: Provinha Brasil, ENEM, Olimpíada de Língua Portuguesa, Olimpíada de Matemática, entre outros. E os resultados não são animadores. Daí a necessidade de investir em outros recursos que possam contribuir com a melhoria na educação pública do nosso país.


Percebe-se que o governo federal não está medindo esforços para reverter esse quadro. Acredito que em virtude dele ter nascido nordestino e pobre, ter vestido na pele grandes dificuldades, é consciente que a educação muda à vida das pessoas. Por isso está investindo grandiosamente nesta área. A prova é que no RN havia dois Institutos Federais e em seus mandatos este número aumentou para doze.


Outro feito importante está sendo estudado para o ensino básico. É o Ensino Médio Inovador. Um projeto ousado, que se posto em prática conforme seus objetivos, vai mudar satisfatoriamente a cara do ensino médio.


Felizmente sou privilegiada em ser uma das pioneiras neste projeto. A partir de seu momento embrionário, onde pequenos grupos de algumas escolas de Mossoró, passou a estudar as diretrizes vindas do MEC para a implantação deste projeto. Realizamos encontros em finais de semana para estudarmos e montarmos o projeto. Foram momentos árduos. E em virtude das dificuldades e falta de credibilidade algumas escolas desistiram. Mas, nós continuamos lá fortes, apesar do cansaço. E, para nossa alegria, dia 21/12/09 em Natal, ficamos sabendo que apenas onze escolas em todo o RN foram contempladas com o Ensino Médio Inovador, entre elas a Escola Estadual Hermógenes Nogueira da Costa, a nossa.


Este projeto vai ser implantado gradativamente, iniciado pelas 1ªs série do Ensino Médio do turno diurno, uma vez que a carga horária vai ser ampliada. O que não é possível para o turno noturno. E deve ser iniciado no turno que tem o maior número de 1ªs séries, que seja no matutino ou vespertino. Portanto, em 2010 este projeto abrangerá as 1ªs, em 2011 as 2ªs e em 2012 as 3ªs séries do Ensino Médio.


Vai haver mudanças consideráveis na estruturação do ensino e na estrutura das escolas. As salas de aula serão equipadas especificamente para atender aos alunos por área de conhecimento. Ao invés dos professores mudarem de sala, isto agora será tarefa do aluno. A estrutura curricular também vai passar por modificações. E o período letivo passará a ser semestral.


Para a efetivação deste projeto diretoras, coordenadoras pedagógicas e professores por área do conhecimento das escolas contempladas com o Ensino Médio Inovador, estão sendo treinados no Rio de Janeiro no período de 18 a 24/01/2020. Certamente, trarão na bagagem esperança alicerçada por conhecimento que contribuirá para um ensino de melhor qualidade.


Enquanto isso aguardamos, aqui na escola, o retorno dos colegas do Rio de Janeiro para juntos arregaçarmos as mangas e pormos em prática o Ensino Médio Inovador, confiantes de que novos ventos soprarão melhoria na qualidade da educação em nossas escolas.

sábado, 26 de dezembro de 2009

NOVOS TEMPOS NA EDUCAÇÃO




O mundo muda a passos largos e essas mudanças são vistas a olho nu. O recurso tecnológico que ontem usamos como moderno, hoje já está ultrapassado. E assim a sociedade vem passando por transformações constantes, evoluindo velozmente.
Enquanto assistimos ou acompanhamos esta evolução social, tecnológica e cientifica a escola dorme tranqüila em sua zona de conforto. Acreditando estar tudo bem. Afinal, ela continua desempenhando o seu papel, o aluno é quem mudou e não quer mais nada. Até porque seus pais nem vêm à escola saber como eles estão.
Bom, o fato é que há algumas controvérsias neste pensar. Primeiro, a escola, sem perceber, deixou bem atrás a sua verdadeira função: educar. De mostrar ao aluno portas para realização de seus sonhos. Acredito também, que de alguma forma a escola afastou os pais de suas dependências. Isto porque durante muito tempo estes só eram chamados para ouvir reclamações de seus filhos mal comportados. E, convenhamos, por mais indisciplinado que seja o aluno, ele tem algo que merece ser elogiado. Mas parece que educar é só apontar erros, sem valorizar os acertos, por menor que sejam. Por outro lado, há inúmeras questões que levam um aluno a ser indisciplinado, desde problemas de visão e/ou dislexia até distúrbios comportamentais.
Para isso é mister que boa parte dos educadores ultrapassem a fronteira da ignorância e pisem no terreno plano do conhecimento. Pois, grande parte dos educadores desconhece como funciona o cérebro humano, como um aluno aprende. E, atuam nos dias atuais conforme foram tratados pelos seus mestres. Usando apenas os conhecimentos adquiridos em práticas sem aprofundamento teórico.
Por esses e tantos outros motivos nos deparamos com o caos na educação brasileira: educadores fazem de conta que ensinam e alunos fazem de conta que aprendem. E quem perde com isso é a sociedade. Que por sua vez, tanto educador, como aluno é membro dela. Enquanto isso se percebe uma bola de neve crescendo assustadoramente.
Entretanto, é possível ver uma luz no fim do túnel. Isto porque os novos gestores das escolas estaduais do Rio Grande do Norte, eleitos para o biênio 2010 e 2011 estão sendo pioneiros numa formação direcionada ao processo de gestão. Que teve inicio nos dias 21 e 22/12/09 em Natal/RN. Onde tiveram a oportunidade de discutir sobre o tema com autoridades renomadas como a Dra. Heloísa Lück.
Segundo Lück “A escola é uma organização que sempre precisou mostrar resultados - o aprendizado dos alunos. Porém nem sempre eles são positivos. Para evitar desperdício de esforços e fazer com que os objetivos sejam atingidos ano após ano, sabe-se que é necessária a presença de gestores que atuem como líderes, capazes de implementar ações direcionadas para esse foco. A concepção de que a liderança é primordial no trabalho escolar começou a tomar corpo na segunda metade da década de 1990, com a universalização do ensino público. A formação e a atuação de líderes, até então restritas aos ambientes empresariais, foram adotadas pela Educação e passaram a ser palavra de ordem para enfrentar os desafios”.
Segundo o secretário de educação do RN, o Sr. Rui Pereira, este foi apenas o início de vários fóruns que haverá com esta finalidade. E eu, como um desses membros desta nova gestão muito entusiasmada fico por acreditar na possibilidade de fazermos a diferença nesta perspectiva de uma gestão democrática voltada para apresentar resultados educacionais positivos. Onde toda a sociedade seja beneficiada.
Sou consciente dos inúmeros problemas a serem enfrentados, especialmente os que se referem aos vícios do funcionalismo público enraizado em outras gestões: assiduidade, pontualidade, apoderamento do patrimônio público, entre outros. Mas acredito que quando cada um exercer “vestir” o empoderamento (se sentir membro de uma equipe) novos ventos soprarão a educação brasileira.
Portanto, vamos à luta!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

SER PROFISSIONAL



Vivemos uma época em que o mundo e o mercado de trabalho exigem que sejamos profissionais. Isso me remete a este conceito ao pé da letra. Ser profissional envolve competência, habilidades e ética. Precisamos ter competência para saber viver bem e desenvolvermos habilidades para não prejudicar o outro ou o planeta no desejo de atingir nossos objetivos. E, principalmente, sermos éticos evitando assim uma maior destruição moral.
Observo que a competência e as habilidades vão sendo adquiridas ao longo da vida do ser humano, mas sinto que boa parte, ainda esbarra na ética. Em se tratando da satisfação das nossas vontades tudo é permitido. Então vale até sermos desonestos para chegarmos ao objetivo final: satisfazer o egoísmo do nosso eu!
É explicado pela Psicologia, que o ser humano sente uma necessidade vital de aparecer, estar em destaque. E, convenhamos: quem não gosta de aparecer? Eu adoro! Entretanto, só aparece quem se mostra. E, só se mostra quem pode. Quem tem conteúdo para mostrar. E, os que a vida lhes tira este conteúdo, para estarem em evidência se jogam no mundo totalmente fora da ética.
E aí habita um grande problema que impera até dentro das escolas. O que, a meu ver, deveria ser um ambiente totalmente ladeado pela ética e o desenvolvimento de habilidades e competências. Afinal, lá estamos trabalhando com mentes humanas. E, nada mais correto do que primar pela sanidade. Mentes sãs, povo sã. E, o mais interessante nisso tudo é que boa parte dos educadores ainda não compreende porque a educação não educa mais. Só não enxerga quem se nega a ver. Somos exemplos e estamos sendo, em muitos casos, péssimos exemplos.
Posso citar um fato recente para ilustrar essa minha afirmação. Trabalho há vinte e três anos em escolas e sinto muito prazer em educar, conviver diariamente com gente. Gosto de gente, do cheiro do povo, especialmente, dos meus amados alunos. Não sou professora de sala de aula, mas sim: de vida! Como pedagoga, meu maior compromisso com os alunos é mostrar-lhes a necessidade de se aprender a viver bem consigo, com o outro e com o mundo! Deve ser por isso que posso sentir no olhar de cada um o quanto sou amada por eles. E, então me jogo nesta vida maravilhosa de educadora sem medo de ser feliz. Não perco meu tempo reclamando de salário baixo, ensino meus alunos a serem comprometidos com o saber para mais tarde poderem reivindicar seus direitos. Uma vez que nós educadores nos perdemos no mar das lamentações.
O fato é que sempre trabalhei nas duas redes de ensino: pública e particular. E, como tenho o que agradecer a ambas pelo que aprendi. Na primeira aprendi a lutar mais e reclamar menos e na segunda aprendi a realizar minhas atividades com competência.
Este ano resolvi me dedicar exclusivamente a rede pública de ensino, por isso aceitei um convite em fazer parte da chapa um para concorrer a vice-diretora da escola onde trabalho. Tenho minha maneira bem particular de ver as eleições para a escolha de gestores dentro de uma escola. Infelizmente, muitos colegas agem como se estivessem participando de um pleito eleitoreiro qualquer. Como temos o que aprender para poder ensinar!
O interessante é que durante o período de campanha dedicado aos candidatos a gestores, pouco atrapalhei a normalidade das aulas. Aproveitei este espaço para mostrar o trabalho que fazemos dentro da escola em benefício dos alunos. O que é visível aos olhos dos mesmos. E, em momento algum, pedi voto. Voto é secreto, é opção democrática. Acredito muito na consciência humana quando bem trabalhada. Por isso visualizo, a cada dia, a possibilidade de um mundo mais humano.
Mesmo assim o resultado nas urnas me foi surpresa, sabia da consciência da comunidade escolar, mas não em nível tão alto. Vencemos com 75% dos votos em todos os seguimentos escolares. Quanta responsabilidade em nossas mãos! O que comprova minha convicção quanto ao mundo melhor e bem mais próximo de nós.
Mas como a ética anda ainda adormecida em bancos escolares, a chapa adversária, insatisfeita com a derrota grande, entrou com pedido de impugnação da eleição, sem alegações pertinentes, por desconhecimento do respeito à felicidade de quem trabalha para ver um mundo mais justo para todos.
O bom nesta história toda é que nossos alunos aprenderam que quando entramos numa disputa só há duas opções: ganhar ou perder. E, se ganhar festejar com respeito, mas é importante também saber perder.