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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A pedagoga de Deus



Hoje amanheci com uma idéia muito louca, pra variar. É que minha cabeça está sempre pensando de mais. Parece uma fábrica ligada direto – exceto quando durmo -, produzindo imagens de acordo com minhas convicções. Até mesmo quando durmo, sonho com as imagens, que ela produz, se concretizando. Então penso que a minha cabeça é uma máquina de produzir sonhos possíveis. E, eles saem fresquinhos das máquinas em formatos diferentes, porém com asas, pra ganharem o mundo das possibilidades.

Pegando carona em minhas idéias, me veio à mente, que Deus controla a fábrica dos humanos. Cada um ser que nasce, recebe seu carimbo de validade e responsabilidades. E, quando nasci ele me selou com o carimbo, em letras bem grafadas, de educadora. Vim, ao mundo, pra contribuir em tornar mais amena a ignorância humana. Esta, que, a meu ver, é o maior mal que assola este mundo. Quanto ao meu prazo de validade, espero que seja longo, pra eu poder realizar a missão que me foi incumbida. A qual, faço com muito prazer e convicção. Por saber que posso até não conseguir mudar o mundo, mas posso, muito bem, dar o melhor de mim fazendo a minha parte.

Portanto, se eu conseguir tirar a venda de alguém que esteja na luta comigo. Este já verá também a possibilidade de fazer bem a parte dele. E, segue uma cadeia de boas ações, que, quem sabe um dia, ela se encontre, de mãos dadas, numa longa roda ligante.

Bom, mas muitas inquietações revolvem minha alma. Pois, se ao nascermos recebemos nosso carimbo de validade e responsabilidades, parece que muitos, de imediato, retiram e jogam fora o segundo carimbo ou etiqueta. Aja vista que esquecem a que vieram neste espaço terreno. Isto porque passando os olhos em nossa realidade, de uma maneira geral, encontramos tanta coisa fora do lugar, que, acredito nunca ter visto o carimbo de responsabilidades de Deus.

E, trazendo esta realidade bem próxima a mim, para o setor educacional, onde trabalho, aí é que se acentuam as barbaridades catastróficas. Ora, sendo a escola uma instituição formadora de opinião de massa, acredita-se que esta tem uma influência direta na vida dos educandos, que buscam nela, conhecimentos, valores, e por que não dizer, asas para seus sonhos. Então por que será que encontramos tantos anjos com asas atrofiadas? São tantos os jovens sem nenhuma perspectiva de vida, que frequentam bancos escolares como quem vai à pracinha, do seu bairro, apenas para conversar com seus colegas. O que está acontecendo com os educadores que receberam o carimbo de responsabilidades de Deus? Ah, havia esquecido que muitos o jogam fora. Deve ser muito pesado desfilar com ele em meio a um público voltado apenas para seus umbigos. Que pensar no outro, querer o bem do outro é realmente algo fora de moda. É grife não usada mais.

Sei perfeitamente que no mundo dos contrários, o qual vivemos. Ser ético, cumpridor de seus deveres e responsabilidades não é fácil. Parece até ser crime, porque cumprir seu expediente envolvido, responsavelmente, com as atividades que lhe compete, nos dias atuais é receber um carimbo social de ingênuo. Já que o correto é fazer vista grossa às responsabilidades, engolir o tempo do aluno, ou enchê-lo como se fosse lingüiça. Porque, na verdade, o aluno de hoje não quer nada com a aprendizagem. Aí, já taxamos outro carimbo, em nosso aluno. E assim a vida segue sendo carimbada em diversas situações.

Interessante é que, este aluno, que não quer nada, quando os três primeiros horários de aulas são vagos – o que é uma constante em nossas escolas - ainda é capaz de esperar pelas últimas aulas daquele professor que honra o carimbo de responsabilidade que recebeu, ao nascer, de Deus.

Minha alma, inquieta, se pergunta: o aluno não quer nada, ou deixamos o nosso carimbo de responsabilidade lá atrás, em uma encruzilhada de nossa estrada. E, junto a este carimbo, estava a nossa vontade de manter-se estudando para compreender melhor a si, aos outros e as exigências sociais. Ficou pra trás também todos os resquícios de pensar coletivo; de valorização universal do ser humano. E, a coragem de lutar por um mundo habitado por cidadãos.

Portanto, este texto que escrevo pode ser visto muito bem como coisa vinda da cabeça de alguém louco, já que trata de assuntos de ações escassas em nossa realidade. Ações essas, que nem exigem grandes esforços. Basta querer para os outros, o que queremos para nós mesmos. O bem contagia e respinga o mundo de amor.

Para se fazer o bem, nem é necessário sermos bonzinhos, basta autenticar o carimbo de responsabilidade que ganhamos ao nascer. Ele é passaporte para a realização pessoal e profissional de todo ser que trafega nesta espaçonave. Uma vez que a vida é o agora, cabendo-nos fazer valer a pena o acontecer. Plantar sementes boas para colher frutos sociais saudáveis. Afinal, não estamos sozinhos no mundo. Por isso, se faz necessário à felicidade dos outros para complementar a minha, a nossa.

E, sabendo do poder da palavra, vou usando-a para edificar castelos humanos, em ruínas, por tanto ouvirem palavras desanimadoras que arrastam-nas para longe de sua essência.

Agarrada ao meu carimbo de responsabilidade: comigo, com os outros e com o mundo, sigo em minha nave perfumada de esperança – a flor mais bela – disseminando a possibilidade de fazermos melhor a nossa prática pedagógica. Dentro dos princípios morais e éticos. Pois, sou convicta que é possível uma escola, sedutora, abrir as portas de cada vida que por ela se introduz ao mundo, através da pedagogia de Deus. E vou, aos poucos, conseguindo adeptos; colhendo flores, onde, antes apontavam espinhos pontiagudos. Isto, entre alunos e equipe escolar. O que reforça minhas convicções: todo ser humano é bom e necessita ser visto assim. Portanto, valorizá-lo; dar-lhe oportunidade para desenvolver seu potencial; respeitá-lo pela importância que tem. São ações primordiais que poderão contribuir para a mudança de cara deste louco e belo mundo.

Meu amigo juazeiro



Quantas saudades a vida nos traz. É inerente ao ser humano essa pontada gostosa chamada saudade.

Saudade tem sabor e cheiro.

Felizmente, não tenho saudades amargas como jiló. Todas as minhas, têm sabores especiais. Até mesmo as saudades de pessoas queridas que já passaram para outro plano. Como é o caso dos meus avós e minha mãe.
A saudade que sinto do meu avô, paterno, tem sabor de quero mais. Homem simples, do campo, porém, amante das letras. Por isso desenvolveu sabedoria que foi muito útil à sua vida e a dos outros. Pois, onde morava, era o sábio do lugarejo. Era convidado para usar os seus conhecimentos até quando alguém estava preste a morrer. Já a saudade da minha avó, paterna, é, talvez, a mais doce. Pela sua ternura e carinho comigo. A, do meu avô materno, tem um gosto acentuado, forte. Homem trabalhador, incansável. Posso até dizer que a saudade que sinto dele tem gosto de ferro, encontrado no grão de feijão. Já da minha vovozinha, materna, sinto saudade perfumada: mulher vaidosa, bonita. Sempre cheirando a sabonete alma de flores e colônia Charisma. Posso estar em qualquer lugar, sentindo essas fragrâncias, volto no tempo e reencontro-a. E, da minha mãe sinto uma saudade com gosto consistente: mulher guerreira, determinada.
Todos já se foram, mas deixaram cravados em mim, suas marcas. E, não me queixo a Deus, por tê-los levado. Nem mesmo por minha mãe ter ido tão cedo. Porque acredito que, como temos de dia de chegada, temos também o da partida. Creio ser a morte uma passagem para um outro plano. O qual, espero eu demorar muito tempo pra pisá-lo.

Além das saudades de pessoas, sinto também saudades de coisas que marcaram minha vida. Como sou filha única e morava em sítio, sempre usei as asas da imaginação para fazer longas viagens. Especialmente, quando subia, no lombo, do meu amigo juazeiro - planta ramnácea brasileira – do nordeste.

No quintal, aberto, de minha casa, com braços fortes e verdejantes, descansava um velho juazeiro. Junto a ele, havia uma linha grossa - de carnaúba – que se estendia do chão aos seus grossos galhos. Minha escada preferida! Incontáveis foram as vezes que subi e desci, escalando meu amigo frondoso. Bastava a emoção querer despontar as asas, que, lá estava eu, entre as folhas companheiras. E, se fazia uma peraltice que zangava a minha mãe, escalava-o tão rápido, evitando assim uma sova. E lá, ficava esperando sua raiva passar para eu poder aterrissar.

Quantas viagens fiz, na copa daquele meu amigo imaginário. Personagem importante no mundo infantil. Que, de acordo com a Psicologia, os amigos imaginários podem surgir de dois modos: amigos invisíveis (que ninguém pode ver) e, objetos personificados (com os quais a criança interage como se fossem humanos). Um amigo imaginário pode ser qualquer coisa, e até não ser nada de concreto - simplesmente estar ali, para a criança e os personificados são aqueles que geralmente falamos que são os “anjinhos”, protetores da criança. Não importa aqui as explicações místicas, religiosas ou metafísicas para estas relações infantis, manteremos o foco é no respeito e na maneira com que esta criança se relaciona e interage com o amigo imaginário e o que está conversando com ele: são aspectos saudáveis ou são aspectos que estão adoecendo a criança? Está afastando-a da realidade? Está colocando-a em risco? etc. Estes dados que precisam ser observados e considerados pelos pais para depois tomarem alguma atitude, se for necessário. Na verdade estas estão na fase do faz de conta. Fase que pode ocorrer, aproximadamente, entre os 3 a 6 anos de idade.

Os pais, inicialmente, não devem dar muita importância a este acontecimento. Entretanto, se ele persistir até à pré-adolescência então, nesse caso, é interessante consultar um profissional de saúde.

Hoje fico imaginando quem são os amigos imaginários das crianças contemporâneas: computador, vídeo games. Máquinas que já trazem as respostas prontas, acabadas. E, na velocidade que atuam, como a criança vai ter tempo de processar essas informações; imaginar; reconstruir; viajar na criatividade?

Que saudades meu velho e querido juazeiro. Que saudades de minha infância saudável em chão de terra: torrão nordestino. Longe do concreto empilhado, sem ruas pintadas de asfalto, longe da prisão em grades, feito pássaro emgaiolados e sem espaços limitados por lnhas de concreto.

Celebridade




O mundo vem mudando em passos rápidos. Observo que estão mudando costumes, conceitos, valores. O conceito de celebridade em nosso país, hoje, aplica-se aos atributos siliconados; corpo perfeito e voz muda; inteligência atrofiada; visão restrita de mundo. Assim, calam-se as aves de cantos melodiosos, castram as asas das borboletas coloridas, e, só escutamos o lamento do vento.

Vendo, na televisão, a busca pelo paradeiro do Belchior. Feliz fiquei quando este foi localizado ontem (30.08.09) no Uruguai. Este, surpreso, por estar sendo procurado. E, mesmo sorridente disse não entender o porquê da procura, pois ele não é celebridade. Deu até pra sentir uma ponta de ressentimento em sua voz.

Lamento a televisão brasileira, empenhar seu trabalho para mexericar na vida das pessoas, ao invés de ser um agente para elevar os grandes nomes dos nossos artistas. Pois todas as perguntas indiscretas fizeram ao Belchior, mas esqueceram a principal: se ele estava bem. Que importância tem as contas que uma pessoa deve, se ela está se escondendo, fugindo. Cada um tem seus motivos para momentos de reclusão. E, acredito que, a própria mídia, se encarrega de fazer a sua parte negativa para afugentar os grandes nomes de compositores e músicos brasileiros. Pois, quando esta põe em destaque as celebridades siliconadas, camuflando a cultura, engasgada, nas gargantas de tantas potencias. A estes cabe isolar-se, de tanta vergonha. E vão procurar apoio em terras estranhas, já que são escorraçados na sua.

E assim acontece com tantos, que seria impossível relacionar aqui. Quantas vozes caladas; pensamentos deletados; idéias levadas pelas ondas do mar; ideologias castigadas.

Por isso ecoa em bom som: que mundo é esse que despreza grandes talentos e enaltece a cultura do rótulo sem conteúdo? Apenas embalagem elegantemente vazia. Cadê o respeito aos que tem conteúdo de sobra para apresentar e representar, no mundo, o nosso tão castigado Brasil.

É, meu caro e grande poeta Belchior, aqui se vive a inversão de valores, onde o bom é ruim e vice-versa. Entretanto, em nós bate um coração cheio de amor. Por isso sabe distinguir o bom do ruim. E, você é parte da boa música popular brasileira.

Foi com você que descobrimos esta frase de amor: “foi por medo de avião que eu segurei pela primeira vez a sua mão” e também conhecemos o rapaz latino americano cheio de sonhos e com pouco dinheiro no bolso. Quem sabe se você tivesse tido parentes importantes, hoje, poderia contar outra história. Se é que você gostaria de contar diferente.

Bom, o fato é que você estar vivo e bem, ao lado de sua esposa, buscando desenvolver seu trabalho em paz, longe do país que deveria te por em berço esplendido pela grandeza que és. Quem sabe, outro país mais esperto, não te descubra e te dê o valor que você merece.

Aqui sempre vai ecoar suas melodiosas canções de amor, esperanças, saudades e questões sociais. Pois, você soltou seu grito ao mundo e quem ouviu jamais o esquecerá. E quando voltar a terra dos contrários certamente muitos estarão de braços abertos para recebê-lo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu, das antigas?!



Apesar de ser uma pessoa de origem muito simples, graças aos estudos, sempre me considerei um ser modernizado. Jurava, de pé junto, ser avançada.
Como me enganei.

Um fato, recente, me fez ver, claramente, que, em determinados aspectos, estou nas antigas. E, mirando bem a situação agradeço, a Deus, por ser assim.

Lembro-me que, quando garotinha e adolescente, tinha uma timidez das brabas. Sabia que carregava potencial dentro de mim, mas, este, se mantinha inibido. Entretanto, com o passar do tempo, fui me envolvendo em atividades que me fizeram vencer este obstáculo. Especialmente, no trabalho, uma vez que lido diariamente com público. Tive que soltar a língua. Pois, uma pedagoga, que se preze, tem muito o quê e com quem falar. Então, depois que a minha língua libertou-se, não há mais quem a segure. Até gostaria, muitas vezes, de mordê-la pra evitar certas situações. E, é nisso que venho me empenhando. Controlar minha língua solta, que é tão livre quanto minha alma.

Contudo, foi exatamente, por causa dessa danada, badalenta, que me meti numa roubada. Isto por ter me tornado, uma pessoa extrovertida, de bem com a vida.

Sou muito curiosa, por isso me mantenho antenada com ferramentas contemporâneas. Usando o terreno do pensar, vou dedilhando daqui e dali e saio abrindo portas na era netiana. E foi neste dedilhar que conheci chats, msn, entre outros. E, gosto de conhecer pessoas, conversar, trocar idéias. Além de tornar reais algumas amizades virtuais. Colecionar amizades é tão bom quanto, figurinhas, quando criança. Hoje, em virtude, de cinco espaços online, me limito a teclar, às vezes, com pessoas que já conheço.

Mas, me parece, que no mundo contemporâneo, especialmente, o dos relacionamentos virtuais, as amizades ganharam cores. Portanto, as tão conhecidas: amizades coloridas. Bom, independente do veículo condutor, elas sempre existiram, e, aparentemente, ganharam um colorido mais extravagante, agora. Interessante, é que, se você é tripulante deste espaço, parece que em seu passaporte está escrito: quero colorir minha amizade. Figa!!! Tenho nada contra não. Só creio que prudência ainda é uma ação que está em voga.

O fato é que perdi um amigo por isso, sendo acusada de dar falsas esperanças, apenas por eu ser alegre e encarar diálogos com naturalidade sobre assuntos inerentes à vida. Agora pergunto: eu tenho culpa de ser feliz, se minha vida é pintada com cores intensas, mesmo fazendo parte de uma pequena ponta do mundo, onde ainda há certo equilíbrio nas relações familiares?

Bom, posso até ter, quem sabe por estar no lugar errado. Não sei ao certo. Entretanto, ver uma amizade – algo sagrado para mim - se esvaindo pelo ralo por falta de um colorido. E, ter que acenar tchau pra minha modernidade não é nada fácil. Fico imaginando, se por acaso, eu resolvesse colorir as amizades que tenho, iria faltar tinta. Logo eu, que luto por um colorido universal. Pegar todas as cores só para mim é de mais da conta. É quando me vem à mente uma questão pertinente sobre a inteligência humana. Será que ela também está indo ralo abaixo?

Fica a pergunta no ar. Mas eu, sinceramente, vou continuar acreditando em amizade entre sexos opostos, sem, necessariamente, ter que tingi-la. Enquanto isso, sigo, tentando quebrar alguns paradigmas envernizados. Se vou conseguir, não importa, pois o que conta, é a minha autenticidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Traumas



Sem perceber, a vida vai nos colocando em situações complicadas que, mais na frente, percebemos que estas deixaram marcas para sempre. São os tão falados traumas que a Psicologia explica muito bem. Trauma: Desagradável experiência emocional de tal intensidade, que deixa uma marca duradoura na mente do indivíduo. Os psiquiatras acreditam que as experiências traumáticas ocorridas, na infância, levam, às vezes, à manifestação de sintomas neuróticos posteriores. Experiências emocionais ocorrem na infância de qualquer pessoa e, certamente, produzem efeitos na personalidade adulta. O estudo desses traumas, ocorridos na infância, desempenha importante papel no tratamento psiquiátrico que se dispensa às pessoas emocionalmente doentes.

Comigo carrego alguns traumas, na medida que vou estudando, vai melhorando a minha compreensão sobre eles. Um que muito me incomoda é com relação aos números, lembrar datas... Fui reprovada na antiga 8ª série, hoje 9º ano, em Matemática. E como sempre fui muito estudiosa, por mais que tentasse menos entendia de raiz quadrada. Minha cabeça de redonda passou à quadrada e nada me ficou deste assunto. Aliás, têm assuntos que estudamos em nosso período escolar que, sinceramente, não sei onde aplicá-los na vida prática. Isto porque falta, aos mestres, condições pedagógicas de demonstrar, na prática, a aplicação daquele conhecimento e, o cérebro, como é muito seletivo, só guarda àquilo que tem utilidade na vida real, o resto vai tudo pra lixeira. E como escoa conteúdos pra essa lixeira, pois, se fizermos uma rápida recapitulagem no amontoado de regras estudadas e não aprendidas nos deparamos com uma tonelada de lixo.

Infelizmente, muitas escolas, ainda funcionam à parte da vida do aluno. Por isso tratam de assuntos que – futuramente - o aluno vai precisar para o vestibular. É uma pena, pois a vida é o aqui e agora, então difícil acumular conteúdos sem significações. O ideal seria que os mestres fossem trabalhados, nas universidades, como transformar as informações em conhecimentos reais. Mas como? Se, boa parte, dos mestres das universidades também não sabem como fazer. Daí uma cadeia de papagaios repetindo fórmulas sem saber interpretá-las, só decoreba desnecessária. Segundo Rubem Alves “a escola dá ferramentas aos alunos, mas não os ensina como utilizá-las.” Eis um desfio aos mestres: ensiná-los a usar as ferramentas.

Com isso quero chegar ao ponto do meu trauma: detesto números. Como? Se estes fazem parte do nosso cotidiano... Era pra sentir prazer em lidar com eles. Mas por incrível que pareça, às vezes, esqueço quanto é dois mais dois. O pior é que esqueço tudo quanto é data de aniversários, até do marido e filhos; eventos então. O curioso é que, geralmente, me programo com antecedência, mas na hora esqueço. Como foi na última sexta-feira, quando esqueci o lançamento do livro do meu querido conterrâneo Raimundo Antônio. Estava toda programada e memória falhou. Isso me deixa muito brava comigo mesma. Mas não tenho o que fazer. Agora vou ter que anotar e, mesmo assim, não garante sucesso.

Este trauma me serviu de alerta, pois, desde que entrei para a educação, procuro trazer os conteúdos o mais próximo possível da realidade dos alunos. Especialmente procurando desmistificar que a matemática é um bicho de sete cabeças. De sete cabeças é a maneira como esta é ensinada nas escolas.

Mas espero que este quadro mude, afinal há muitos estudos e experiências sobre novas técnicas de ensino, envolvendo atividades práticas, com os mais variados instrumentos pedagógicos, que tornam regras em conhecimentos palpáveis. Como exemplo, posso citar o trabalho interdisciplinar entre as áreas de conhecimento, que, quando bem feito, é possível ao aluno em um texto destacar assuntos que permeiam várias disciplinas.

Portanto, já vemos luz no fim do túnel com as práticas modernizadas – atividades simples - de alguns mestres. A quem parabenizo aplaudindo de pé. Pois, estes, não enferrujaram no tempo, mas sim, avançam com ele. Estão constantemente estudando e procurando se modernizar. E, são, exatamente, estes mestres que conseguem manter seus alunos em sala de aula, sem se sentirem cansados. Suas aulas não são exaustivas, tendo como recurso pedagógico apenas o quadro e o giz. Elas extrapolam janelas e portas das salas de aula; pulam os muros da escola, mesmo os alunos estando sentados em sua carteira. Porque são aulas instigantes, que fazem os alunos usarem o mecanismo do pensar, desenhando suas próprias idéias no painel de suas mentes. Estes, são mestres que estão cumprindo com a verdadeira missão de educar: fazer com que seu aluno veja o mundo através da lente de seus olhos; descubra o seu potencial, para poder garantir seu lugar de cidadão no mundo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Tentativa de aproximação...




E me embrenho num poço de uma fundura sem dimensão. É escuro, confuso, tem idas e vindas, curvas sinuosas e não há retidão. O transporte que me conduz segue em velocidades que variam entre muito rápido a devagar quase parando. Mas vou, não sei bem pra onde, só estou indo. Sigo uma luz, quando há, pois, às vezes, a treva é quem me direciona. Tateando na escuridão, em paredes, muitas vezes, já galgadas por mim. Nelas, estão cravados, passos em terra firme, outros em areia movediça, que nem precisaram do sopro do vento pra se perderem no tempo. E o tempo vai e volta sem nos trazer respostas. Àquelas que poderiam preencher um vácuo, que por frações de segundos, chega a ser preenchido por um ser pleno e vasto. Entretanto, este ser logo se desfaz na poeira das incertezas que pareciam certas.

Acabo de tropeçar numa pedra, mas uma vez nela esbarro, como em tantos outros tropeços. Nem chega a doer mais, tão quantos foram nossos encontros. Ela só permanece lá, bem no meio do caminho. Poderia perfeitamente desviá-la já que nos cruzamos muito, mas sempre esqueço sua localização exata. Péssima em geografia. Minhas tentativas de diálogo com ela foram todas frustradas, afinal pedras não falam. Eu novamente num monólogo abstrato nesta paisagem variante carregada de interrogações. Estas se vão nas águas de um rio que parece tão límpido. Será? Porém de uma correnteza que me arrasta sempre pra muito longe. Um longe sem fim onde visualizo um começo risonho, enfim. Ou será um recomeço o que vejo? No momento visão turva e pensamentos confusos se arrastam neste prolongamento de uma estrada que me leva.

E vou sabendo que não sou muito nem pouco, apenas um ser tentando se entender através de sílabas que dialogam comigo, retratando que o escrever é um estado de espírito. Que por vezes, este espírito floresce em campos planos e verdejantes com um céu enorme pousado sobre sua cabeça, resfestelando-se com o calor e dourando de um sol sempre a sorrir, parecendo estar sempre apontando o caminho. Assim encontro a direção certa, até nublar... e vir mais sol... outras nuvens, enquanto a vida me permitir será assim porque viver é ser esta metamorfose ambulante, como escreveu com letras claras o Raul. Certamente por isso é tão maravilhoso estar viva!!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Ele é o rei...



Lembro-me muito bem as primeiras notas musicais que acarinharam meus ouvidos, enquanto minha mãe me embalava, quando bebê, falavam de amor, paz e muita fé, e, eu acabava dormindo tranqüila, com riso de felicidade pela leveza sonora que me tocava. Ainda não entendia a linguagem dos adultos, mas me alegrava ouvir a voz, doce, da minha mãe cantarolando aquelas músicas. Só depois que fui me familiarizando com as palavras, é que descobri que as melodias eram do Roberto Carlos.

Em minha família, gostar do Roberto Carlos é tradição que passa de geração em geração: minha avó passou para minha mãe, minha mãe para mim e eu para meus filhos. Adorei ouvir domingo - agosto de 2009 - da boca do meu filhote de dezessete anos: Este cara só tem música massa. Isso me deixa orgulhosa porque, com o lixo musical que adoecem nossos ouvidos, hoje, ver um jovem falar isso mostra que eu e o pai conseguimos passar para nossos filhos valores indispensáveis à vida.

Recordo bem que o show, anual, do Roberto, na TV, era uma noite festiva. A família toda se arrumava – morávamos no sítio e não havia TV – e, em, procissão, íamos pra cidade assistir ao show. Show que emocionava e nos trazia um bem estar especial. Nem nos importávamos as léguas andadas, a pé, na poeira. Esta, se misturava às nossas boas lembranças que guardávamos até o próximo show. E assim foi até os meus 15 anos, pois a partir dos dezesseis vim morara em Mossoró. E aqui não precisei fazer grandes sacrifícios – gratificantes - para continuar vendo o meu rei cantar e me encantar sempre.

Não é a toa que o ele comemorou seus cinqüenta anos, de carreira, no Maracanã lotado de milhões de amigos, embaixo de chuva. E, ele que queria apenas ter um milhão de amigos. Também, convenhamos, quem sabe falar de amor melhor que o Rei? Desconheço. Mesmo com sua timidez, de menino do interior, ele arrasta multidões. Por trás de seu sorriso, tímido, percebo um eterno conquistador de corações. A beleza de suas músicas vêm da simplicidade do seu ser; da humildade que demonstra ter e da valorização da vida, dos amigos e, acima de tudo, de sua fé em Deus.

Desconheço fatos em que, este, tenha se envolvido com drogas, o que poderia ter acontecido como aconteceu com tantos artistas da sua época. Sempre se manteve na dele. Como um pássaro veio demonstrar ao mundo o seu amor, por meio de suas canções. E o faz com propriedade, até quando cantou, debaixo dos caracóis dos seus cabelos em homenagem ao Caetano Veloso quando foi exilado.

Sou tão fã que tenho certeza que ele fez para mim as músicas: mulher pequena e mulher de 40. Pensando bem, ele, já escreveu músicas para uma legião de pessoas. Por isso, se identificam com elas. Por perceberem as mensagens maravilhosas contidas em seus versos. Mas, o que mais me encanta, são suas mensagens de fé e esperança. Na vida, ele já passou por tantos momentos difíceis, entretanto a sua fé sempre o salvou. Que isto sirva para nós como um lema de vida: Por mais que a tempestade ronde nossas cabeças, acima dela está o Todo Poderoso, capaz de nos fazer superar qualquer dificuldade, basta crer e orar sempre.

Rezo com toda a minha fé - e não é pouca - para que Jesus Cristo lhe permita muitos anos de vida, para você continuar enchendo o mundo de amor e nossas vidas de alegrias. Porque além do horizonte, deve ter, escrito com letras bordadas, como é grande o meu amor por você. E nada que aconteça fará com que eu esqueça, detalhes tão pequenos de nós dois, como: os botões da blusa que você usava e os lençóis macios, pois depois da cavalgada vou pedir um café pra nós dois.