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domingo, 25 de outubro de 2009

PEDAGOGIA DO AFETO




No decorrer de sua história a educação brasileira tem passando por fases significativas de mudanças. Esta, fruto de uma pedagogia tradicional, com origem na doutrina dos jesuítas, permaneceu muito tempo com idéias puramente positivistas, onde o aluno era apenas um receptor de conteúdos prontos, transmitidos pelos professores. Por volta do século XIX surge a Escola Nova, com base na teoria educacional de John Dewey. Que propunha dá mais ênfase a ação do que a teoria. Portanto, a pedagogia da ação. Com o intuito de valorizar a experiência do aluno.
Com a ausência da escola Nova, que fracassou, surge a pedagogia tecnicista, com o desenvolvimento da indústria. Com base nas ciências e nas técnicas, onde cada aluno era visto como ferramenta de trabalho específico. Portanto, uma pedagogia com tendências muito voltadas para o positivismo. Podemos assim dizer: uma versão moderna da escola tradicional. Já nas décadas de 50 e 60 foram marcadas pela alfabetização de adultos com a pedagogia da libertação, de Paulo Freire. Pedagogia essa que veio clarear muitas mentes educadoras que passaram a ver possibilidades onde habitavam cinzas. Entretanto, nos dias atuais, mesmo com as mudanças políticas, tecnológicas, sociais, comportamentais... a educação ainda é ministrada com base tecnicista, cuja metodologia é autoritária e antidemocrática.
Percebe-se que apesar destes avanços, de se ouvir dizer que a escola é um direito de todos e dever do estado. Esta, na prática, permanece seletiva e excluidora, como sempre foi. Uma vez que usa uma medida só para todos os alunos, o que desrespeita a individualidade do ser. Daí, o triste e preocupante resultado: a cada ano, grandes escolas fecham salas de aulas. E a pergunta solta no ar: para onde estão indo seus alunos? A resposta é arrepiante: estão nas bocas de fumo tentando sobreviver. Pois a única oportunidade que têm de mudança de sua história de sofrimento é a escola. E esta, sem perceber, lhes fecha as portas.
Com isso, não quero dizer que desconheço todo o sistema político, econômico e social em que a escola está inserida. Sei perfeitamente que a escola é apenas uma engrenagem neste grande contexto. Entretanto, é a escola responsável pela formação de mentes humanas por trabalhar com o conhecimento formal. E, o que observamos é que o sistema ideológico político é tão bem emaranhado que, nós educadores, acabamos sendo arrastados por ele, conformados. Acreditamos que a vida é assim mesmo e não podemos nada fazer. Enfim, ficamos em cima do muro, sem assumir a nossa verdadeira responsabilidade: abrir mentes e educar para a cidadania.
Sei a importância de todos os profissionais para o desenvolvimento de um país. E, o mais interessante é que cada um deles, só se torna profissional se passar por mãos de vários educadores. Daí, eu considerar que temos capacidades suficientes para plantarmos a semente de libertação da cegueira humana em muitas mentes.
Com isso quero chegar ao titulo deste texto: pedagogia do afeto. É esta minha bandeira de luta enquanto puder ser educadora e gente. Precisamos olhar cada aluno que adentra nos portões escolares com um olhar específico e extremamente acolhedor para que este se sinta motivado a voltar todos os dias em busca de sua arma de libertação: o saber. Ao invés de estar usando a mão como arma para se destruir com drogas ou assaltando a mão armada.
Essa mesma pedagogia poderá ser chamada de: pedagogia do respeito; da dignidade; da valorização do ser; da paz. Não importa. O fato é que há uma necessidade social gritante desta pedagogia ser posta em prática enquanto há tempo para sermos educadores. Pois, do jeito e com a rapidez que as coisas estão caminhando nossa escola está prestes a fechar definitivamente suas portas por falta de competência em realizar a sua missão de educar.
Fácil sei, não é, mas já pude constatar várias vezes, em questão de semanas o aluno carimbado de “mau”, se transformar em um ser humano doce e carinhoso. Isto apenas usando a pedagogia do afeto. Com isso não significa dizer que devemos passar a mão na cabeça e dizer amém pra tudo que o aluno faz. Mas sim, olhá-lo com os olhos do coração e demonstrar que acreditamos em seu potencial, enquanto vamos lhe apresentando regras disciplinares.

ONDE ESTÁ O PROBLEMA?


Há muito tempo essa pergunta me persegue. E, não sou detentora da verdade. Mas, com base em fatos reais, que vivencio, e a prática de leituras, tenho minhas convicções. Posso estar errada. Entretanto, até que me provem o contrário continuarei convicta.

O fato é que desde o início de minha carreira como educadora – a qual me dá muito prazer – venho me perguntando por que a cada dia a educação pública – conheço a realidade da educação particular e sei que esta é menos ruim - brasileira cai em fracasso.

Percebe-se que os condicionantes do fracasso são variados, distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. Relativamente às características dos alunos, salienta-se o seu universo familiar, o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais. Pesquisas mostram que familiares mais escolarizados valorizam mais à educação, acompanham e estimulam os seus filhos, inclusive em tarefas do dia-a-dia escolar, ações que elevam as chances de sucesso.

Entretanto, como pedagoga, com mais de duas décadas de trabalho em escolas, sempre acreditei que as práticas escolares deixam muito a desejar. E, como fatores condicionantes posso citar o próprio sistema educacional, engrenagem de uma sociedade capitalista, a má formação dos educadores, falta de valorização do profissional. E, liquidificando esses fatores resulta numa apatia educacional geral onde resulta neste fracasso atual.

Hoje, observando a maioria dos colegas educadores, parecem estar conformados com essa realidade, sentindo-se incapazes de mudar este quadro desolador. Sinto como se todos estivessem condenados a morrer apáticos.

Felizmente, não me vejo neste quadro conformista. Acredito na potencialidade de todo ser humano, em sua capacidade de mudança. E, é essa luta que coordeno por onde passo. Ando com a bandeira verde esperança hasteada sempre.

E foi com esta bandeira, na mão, que fui participar do I Encontro Estadual de Gestão e Resultados Educacionais do Rio Grande do Norte, em Natal, no período de 29 de setembro a 01 de outubro do ano em curso. Onde tive a oportunidade de estar com representantes do MEC e da SEEC-RN, apresentando resultados das avaliações – Provinha Brasil, ENEM, SAEB, Olimpíadas, entre outros - que veem sendo aplicadas nas escolas brasileiras, aproximadamente há dez anos, objetivando encontrar caminhos para mudanças neste quadro educacional.

Além das amostragens, via gráficos, muitas discussões foram suscitadas. Inclusive mudei minha visão com relação aos números, que antes representavam dados frios para mim. Hoje, já sei que por trás de cada numero há dado pedagógico. Isto agradeço, especialmente, ao palestrante João Luiz Horta Neto do INEP. Que com seu conhecimento e resultados em mãos nos alertou para a necessidade da escola repensar o seu fazer pedagógico, uma vez que não se pode negar os investimentos que veem sendo feitos em níveis estruturais e em material humano, através de redes de formação continuada.

Então, retomo a pergunta que intitula este texto: onde está o problema? Se estar havendo maiores preocupações e investimentos por parte do sistema educacional, por que ainda não descobrimos o caminho que leva a uma educação de qualidade, já que é um direito de todo aluno?

Acredito que a resposta pode está num trabalho mais estruturado por todos que fazem a escola. Partindo de um direcionamento a partir do Projeto Político Pedagógico. Portanto, se faz urgente uma reestruturação no fazer pedagógico. Nós, educadores, precisamos nos desarmar de nossa ignorância e abrirmos as portas para a humildade entrar cheia de novas possibilidades. Só assim acredito numa educação para todos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A pedagoga de Deus



Hoje amanheci com uma idéia muito louca, pra variar. É que minha cabeça está sempre pensando de mais. Parece uma fábrica ligada direto – exceto quando durmo -, produzindo imagens de acordo com minhas convicções. Até mesmo quando durmo, sonho com as imagens, que ela produz, se concretizando. Então penso que a minha cabeça é uma máquina de produzir sonhos possíveis. E, eles saem fresquinhos das máquinas em formatos diferentes, porém com asas, pra ganharem o mundo das possibilidades.

Pegando carona em minhas idéias, me veio à mente, que Deus controla a fábrica dos humanos. Cada um ser que nasce, recebe seu carimbo de validade e responsabilidades. E, quando nasci ele me selou com o carimbo, em letras bem grafadas, de educadora. Vim, ao mundo, pra contribuir em tornar mais amena a ignorância humana. Esta, que, a meu ver, é o maior mal que assola este mundo. Quanto ao meu prazo de validade, espero que seja longo, pra eu poder realizar a missão que me foi incumbida. A qual, faço com muito prazer e convicção. Por saber que posso até não conseguir mudar o mundo, mas posso, muito bem, dar o melhor de mim fazendo a minha parte.

Portanto, se eu conseguir tirar a venda de alguém que esteja na luta comigo. Este já verá também a possibilidade de fazer bem a parte dele. E, segue uma cadeia de boas ações, que, quem sabe um dia, ela se encontre, de mãos dadas, numa longa roda ligante.

Bom, mas muitas inquietações revolvem minha alma. Pois, se ao nascermos recebemos nosso carimbo de validade e responsabilidades, parece que muitos, de imediato, retiram e jogam fora o segundo carimbo ou etiqueta. Aja vista que esquecem a que vieram neste espaço terreno. Isto porque passando os olhos em nossa realidade, de uma maneira geral, encontramos tanta coisa fora do lugar, que, acredito nunca ter visto o carimbo de responsabilidades de Deus.

E, trazendo esta realidade bem próxima a mim, para o setor educacional, onde trabalho, aí é que se acentuam as barbaridades catastróficas. Ora, sendo a escola uma instituição formadora de opinião de massa, acredita-se que esta tem uma influência direta na vida dos educandos, que buscam nela, conhecimentos, valores, e por que não dizer, asas para seus sonhos. Então por que será que encontramos tantos anjos com asas atrofiadas? São tantos os jovens sem nenhuma perspectiva de vida, que frequentam bancos escolares como quem vai à pracinha, do seu bairro, apenas para conversar com seus colegas. O que está acontecendo com os educadores que receberam o carimbo de responsabilidades de Deus? Ah, havia esquecido que muitos o jogam fora. Deve ser muito pesado desfilar com ele em meio a um público voltado apenas para seus umbigos. Que pensar no outro, querer o bem do outro é realmente algo fora de moda. É grife não usada mais.

Sei perfeitamente que no mundo dos contrários, o qual vivemos. Ser ético, cumpridor de seus deveres e responsabilidades não é fácil. Parece até ser crime, porque cumprir seu expediente envolvido, responsavelmente, com as atividades que lhe compete, nos dias atuais é receber um carimbo social de ingênuo. Já que o correto é fazer vista grossa às responsabilidades, engolir o tempo do aluno, ou enchê-lo como se fosse lingüiça. Porque, na verdade, o aluno de hoje não quer nada com a aprendizagem. Aí, já taxamos outro carimbo, em nosso aluno. E assim a vida segue sendo carimbada em diversas situações.

Interessante é que, este aluno, que não quer nada, quando os três primeiros horários de aulas são vagos – o que é uma constante em nossas escolas - ainda é capaz de esperar pelas últimas aulas daquele professor que honra o carimbo de responsabilidade que recebeu, ao nascer, de Deus.

Minha alma, inquieta, se pergunta: o aluno não quer nada, ou deixamos o nosso carimbo de responsabilidade lá atrás, em uma encruzilhada de nossa estrada. E, junto a este carimbo, estava a nossa vontade de manter-se estudando para compreender melhor a si, aos outros e as exigências sociais. Ficou pra trás também todos os resquícios de pensar coletivo; de valorização universal do ser humano. E, a coragem de lutar por um mundo habitado por cidadãos.

Portanto, este texto que escrevo pode ser visto muito bem como coisa vinda da cabeça de alguém louco, já que trata de assuntos de ações escassas em nossa realidade. Ações essas, que nem exigem grandes esforços. Basta querer para os outros, o que queremos para nós mesmos. O bem contagia e respinga o mundo de amor.

Para se fazer o bem, nem é necessário sermos bonzinhos, basta autenticar o carimbo de responsabilidade que ganhamos ao nascer. Ele é passaporte para a realização pessoal e profissional de todo ser que trafega nesta espaçonave. Uma vez que a vida é o agora, cabendo-nos fazer valer a pena o acontecer. Plantar sementes boas para colher frutos sociais saudáveis. Afinal, não estamos sozinhos no mundo. Por isso, se faz necessário à felicidade dos outros para complementar a minha, a nossa.

E, sabendo do poder da palavra, vou usando-a para edificar castelos humanos, em ruínas, por tanto ouvirem palavras desanimadoras que arrastam-nas para longe de sua essência.

Agarrada ao meu carimbo de responsabilidade: comigo, com os outros e com o mundo, sigo em minha nave perfumada de esperança – a flor mais bela – disseminando a possibilidade de fazermos melhor a nossa prática pedagógica. Dentro dos princípios morais e éticos. Pois, sou convicta que é possível uma escola, sedutora, abrir as portas de cada vida que por ela se introduz ao mundo, através da pedagogia de Deus. E vou, aos poucos, conseguindo adeptos; colhendo flores, onde, antes apontavam espinhos pontiagudos. Isto, entre alunos e equipe escolar. O que reforça minhas convicções: todo ser humano é bom e necessita ser visto assim. Portanto, valorizá-lo; dar-lhe oportunidade para desenvolver seu potencial; respeitá-lo pela importância que tem. São ações primordiais que poderão contribuir para a mudança de cara deste louco e belo mundo.

Meu amigo juazeiro



Quantas saudades a vida nos traz. É inerente ao ser humano essa pontada gostosa chamada saudade.

Saudade tem sabor e cheiro.

Felizmente, não tenho saudades amargas como jiló. Todas as minhas, têm sabores especiais. Até mesmo as saudades de pessoas queridas que já passaram para outro plano. Como é o caso dos meus avós e minha mãe.
A saudade que sinto do meu avô, paterno, tem sabor de quero mais. Homem simples, do campo, porém, amante das letras. Por isso desenvolveu sabedoria que foi muito útil à sua vida e a dos outros. Pois, onde morava, era o sábio do lugarejo. Era convidado para usar os seus conhecimentos até quando alguém estava preste a morrer. Já a saudade da minha avó, paterna, é, talvez, a mais doce. Pela sua ternura e carinho comigo. A, do meu avô materno, tem um gosto acentuado, forte. Homem trabalhador, incansável. Posso até dizer que a saudade que sinto dele tem gosto de ferro, encontrado no grão de feijão. Já da minha vovozinha, materna, sinto saudade perfumada: mulher vaidosa, bonita. Sempre cheirando a sabonete alma de flores e colônia Charisma. Posso estar em qualquer lugar, sentindo essas fragrâncias, volto no tempo e reencontro-a. E, da minha mãe sinto uma saudade com gosto consistente: mulher guerreira, determinada.
Todos já se foram, mas deixaram cravados em mim, suas marcas. E, não me queixo a Deus, por tê-los levado. Nem mesmo por minha mãe ter ido tão cedo. Porque acredito que, como temos de dia de chegada, temos também o da partida. Creio ser a morte uma passagem para um outro plano. O qual, espero eu demorar muito tempo pra pisá-lo.

Além das saudades de pessoas, sinto também saudades de coisas que marcaram minha vida. Como sou filha única e morava em sítio, sempre usei as asas da imaginação para fazer longas viagens. Especialmente, quando subia, no lombo, do meu amigo juazeiro - planta ramnácea brasileira – do nordeste.

No quintal, aberto, de minha casa, com braços fortes e verdejantes, descansava um velho juazeiro. Junto a ele, havia uma linha grossa - de carnaúba – que se estendia do chão aos seus grossos galhos. Minha escada preferida! Incontáveis foram as vezes que subi e desci, escalando meu amigo frondoso. Bastava a emoção querer despontar as asas, que, lá estava eu, entre as folhas companheiras. E, se fazia uma peraltice que zangava a minha mãe, escalava-o tão rápido, evitando assim uma sova. E lá, ficava esperando sua raiva passar para eu poder aterrissar.

Quantas viagens fiz, na copa daquele meu amigo imaginário. Personagem importante no mundo infantil. Que, de acordo com a Psicologia, os amigos imaginários podem surgir de dois modos: amigos invisíveis (que ninguém pode ver) e, objetos personificados (com os quais a criança interage como se fossem humanos). Um amigo imaginário pode ser qualquer coisa, e até não ser nada de concreto - simplesmente estar ali, para a criança e os personificados são aqueles que geralmente falamos que são os “anjinhos”, protetores da criança. Não importa aqui as explicações místicas, religiosas ou metafísicas para estas relações infantis, manteremos o foco é no respeito e na maneira com que esta criança se relaciona e interage com o amigo imaginário e o que está conversando com ele: são aspectos saudáveis ou são aspectos que estão adoecendo a criança? Está afastando-a da realidade? Está colocando-a em risco? etc. Estes dados que precisam ser observados e considerados pelos pais para depois tomarem alguma atitude, se for necessário. Na verdade estas estão na fase do faz de conta. Fase que pode ocorrer, aproximadamente, entre os 3 a 6 anos de idade.

Os pais, inicialmente, não devem dar muita importância a este acontecimento. Entretanto, se ele persistir até à pré-adolescência então, nesse caso, é interessante consultar um profissional de saúde.

Hoje fico imaginando quem são os amigos imaginários das crianças contemporâneas: computador, vídeo games. Máquinas que já trazem as respostas prontas, acabadas. E, na velocidade que atuam, como a criança vai ter tempo de processar essas informações; imaginar; reconstruir; viajar na criatividade?

Que saudades meu velho e querido juazeiro. Que saudades de minha infância saudável em chão de terra: torrão nordestino. Longe do concreto empilhado, sem ruas pintadas de asfalto, longe da prisão em grades, feito pássaro emgaiolados e sem espaços limitados por lnhas de concreto.

Celebridade




O mundo vem mudando em passos rápidos. Observo que estão mudando costumes, conceitos, valores. O conceito de celebridade em nosso país, hoje, aplica-se aos atributos siliconados; corpo perfeito e voz muda; inteligência atrofiada; visão restrita de mundo. Assim, calam-se as aves de cantos melodiosos, castram as asas das borboletas coloridas, e, só escutamos o lamento do vento.

Vendo, na televisão, a busca pelo paradeiro do Belchior. Feliz fiquei quando este foi localizado ontem (30.08.09) no Uruguai. Este, surpreso, por estar sendo procurado. E, mesmo sorridente disse não entender o porquê da procura, pois ele não é celebridade. Deu até pra sentir uma ponta de ressentimento em sua voz.

Lamento a televisão brasileira, empenhar seu trabalho para mexericar na vida das pessoas, ao invés de ser um agente para elevar os grandes nomes dos nossos artistas. Pois todas as perguntas indiscretas fizeram ao Belchior, mas esqueceram a principal: se ele estava bem. Que importância tem as contas que uma pessoa deve, se ela está se escondendo, fugindo. Cada um tem seus motivos para momentos de reclusão. E, acredito que, a própria mídia, se encarrega de fazer a sua parte negativa para afugentar os grandes nomes de compositores e músicos brasileiros. Pois, quando esta põe em destaque as celebridades siliconadas, camuflando a cultura, engasgada, nas gargantas de tantas potencias. A estes cabe isolar-se, de tanta vergonha. E vão procurar apoio em terras estranhas, já que são escorraçados na sua.

E assim acontece com tantos, que seria impossível relacionar aqui. Quantas vozes caladas; pensamentos deletados; idéias levadas pelas ondas do mar; ideologias castigadas.

Por isso ecoa em bom som: que mundo é esse que despreza grandes talentos e enaltece a cultura do rótulo sem conteúdo? Apenas embalagem elegantemente vazia. Cadê o respeito aos que tem conteúdo de sobra para apresentar e representar, no mundo, o nosso tão castigado Brasil.

É, meu caro e grande poeta Belchior, aqui se vive a inversão de valores, onde o bom é ruim e vice-versa. Entretanto, em nós bate um coração cheio de amor. Por isso sabe distinguir o bom do ruim. E, você é parte da boa música popular brasileira.

Foi com você que descobrimos esta frase de amor: “foi por medo de avião que eu segurei pela primeira vez a sua mão” e também conhecemos o rapaz latino americano cheio de sonhos e com pouco dinheiro no bolso. Quem sabe se você tivesse tido parentes importantes, hoje, poderia contar outra história. Se é que você gostaria de contar diferente.

Bom, o fato é que você estar vivo e bem, ao lado de sua esposa, buscando desenvolver seu trabalho em paz, longe do país que deveria te por em berço esplendido pela grandeza que és. Quem sabe, outro país mais esperto, não te descubra e te dê o valor que você merece.

Aqui sempre vai ecoar suas melodiosas canções de amor, esperanças, saudades e questões sociais. Pois, você soltou seu grito ao mundo e quem ouviu jamais o esquecerá. E quando voltar a terra dos contrários certamente muitos estarão de braços abertos para recebê-lo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu, das antigas?!



Apesar de ser uma pessoa de origem muito simples, graças aos estudos, sempre me considerei um ser modernizado. Jurava, de pé junto, ser avançada.
Como me enganei.

Um fato, recente, me fez ver, claramente, que, em determinados aspectos, estou nas antigas. E, mirando bem a situação agradeço, a Deus, por ser assim.

Lembro-me que, quando garotinha e adolescente, tinha uma timidez das brabas. Sabia que carregava potencial dentro de mim, mas, este, se mantinha inibido. Entretanto, com o passar do tempo, fui me envolvendo em atividades que me fizeram vencer este obstáculo. Especialmente, no trabalho, uma vez que lido diariamente com público. Tive que soltar a língua. Pois, uma pedagoga, que se preze, tem muito o quê e com quem falar. Então, depois que a minha língua libertou-se, não há mais quem a segure. Até gostaria, muitas vezes, de mordê-la pra evitar certas situações. E, é nisso que venho me empenhando. Controlar minha língua solta, que é tão livre quanto minha alma.

Contudo, foi exatamente, por causa dessa danada, badalenta, que me meti numa roubada. Isto por ter me tornado, uma pessoa extrovertida, de bem com a vida.

Sou muito curiosa, por isso me mantenho antenada com ferramentas contemporâneas. Usando o terreno do pensar, vou dedilhando daqui e dali e saio abrindo portas na era netiana. E foi neste dedilhar que conheci chats, msn, entre outros. E, gosto de conhecer pessoas, conversar, trocar idéias. Além de tornar reais algumas amizades virtuais. Colecionar amizades é tão bom quanto, figurinhas, quando criança. Hoje, em virtude, de cinco espaços online, me limito a teclar, às vezes, com pessoas que já conheço.

Mas, me parece, que no mundo contemporâneo, especialmente, o dos relacionamentos virtuais, as amizades ganharam cores. Portanto, as tão conhecidas: amizades coloridas. Bom, independente do veículo condutor, elas sempre existiram, e, aparentemente, ganharam um colorido mais extravagante, agora. Interessante, é que, se você é tripulante deste espaço, parece que em seu passaporte está escrito: quero colorir minha amizade. Figa!!! Tenho nada contra não. Só creio que prudência ainda é uma ação que está em voga.

O fato é que perdi um amigo por isso, sendo acusada de dar falsas esperanças, apenas por eu ser alegre e encarar diálogos com naturalidade sobre assuntos inerentes à vida. Agora pergunto: eu tenho culpa de ser feliz, se minha vida é pintada com cores intensas, mesmo fazendo parte de uma pequena ponta do mundo, onde ainda há certo equilíbrio nas relações familiares?

Bom, posso até ter, quem sabe por estar no lugar errado. Não sei ao certo. Entretanto, ver uma amizade – algo sagrado para mim - se esvaindo pelo ralo por falta de um colorido. E, ter que acenar tchau pra minha modernidade não é nada fácil. Fico imaginando, se por acaso, eu resolvesse colorir as amizades que tenho, iria faltar tinta. Logo eu, que luto por um colorido universal. Pegar todas as cores só para mim é de mais da conta. É quando me vem à mente uma questão pertinente sobre a inteligência humana. Será que ela também está indo ralo abaixo?

Fica a pergunta no ar. Mas eu, sinceramente, vou continuar acreditando em amizade entre sexos opostos, sem, necessariamente, ter que tingi-la. Enquanto isso, sigo, tentando quebrar alguns paradigmas envernizados. Se vou conseguir, não importa, pois o que conta, é a minha autenticidade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Traumas



Sem perceber, a vida vai nos colocando em situações complicadas que, mais na frente, percebemos que estas deixaram marcas para sempre. São os tão falados traumas que a Psicologia explica muito bem. Trauma: Desagradável experiência emocional de tal intensidade, que deixa uma marca duradoura na mente do indivíduo. Os psiquiatras acreditam que as experiências traumáticas ocorridas, na infância, levam, às vezes, à manifestação de sintomas neuróticos posteriores. Experiências emocionais ocorrem na infância de qualquer pessoa e, certamente, produzem efeitos na personalidade adulta. O estudo desses traumas, ocorridos na infância, desempenha importante papel no tratamento psiquiátrico que se dispensa às pessoas emocionalmente doentes.

Comigo carrego alguns traumas, na medida que vou estudando, vai melhorando a minha compreensão sobre eles. Um que muito me incomoda é com relação aos números, lembrar datas... Fui reprovada na antiga 8ª série, hoje 9º ano, em Matemática. E como sempre fui muito estudiosa, por mais que tentasse menos entendia de raiz quadrada. Minha cabeça de redonda passou à quadrada e nada me ficou deste assunto. Aliás, têm assuntos que estudamos em nosso período escolar que, sinceramente, não sei onde aplicá-los na vida prática. Isto porque falta, aos mestres, condições pedagógicas de demonstrar, na prática, a aplicação daquele conhecimento e, o cérebro, como é muito seletivo, só guarda àquilo que tem utilidade na vida real, o resto vai tudo pra lixeira. E como escoa conteúdos pra essa lixeira, pois, se fizermos uma rápida recapitulagem no amontoado de regras estudadas e não aprendidas nos deparamos com uma tonelada de lixo.

Infelizmente, muitas escolas, ainda funcionam à parte da vida do aluno. Por isso tratam de assuntos que – futuramente - o aluno vai precisar para o vestibular. É uma pena, pois a vida é o aqui e agora, então difícil acumular conteúdos sem significações. O ideal seria que os mestres fossem trabalhados, nas universidades, como transformar as informações em conhecimentos reais. Mas como? Se, boa parte, dos mestres das universidades também não sabem como fazer. Daí uma cadeia de papagaios repetindo fórmulas sem saber interpretá-las, só decoreba desnecessária. Segundo Rubem Alves “a escola dá ferramentas aos alunos, mas não os ensina como utilizá-las.” Eis um desfio aos mestres: ensiná-los a usar as ferramentas.

Com isso quero chegar ao ponto do meu trauma: detesto números. Como? Se estes fazem parte do nosso cotidiano... Era pra sentir prazer em lidar com eles. Mas por incrível que pareça, às vezes, esqueço quanto é dois mais dois. O pior é que esqueço tudo quanto é data de aniversários, até do marido e filhos; eventos então. O curioso é que, geralmente, me programo com antecedência, mas na hora esqueço. Como foi na última sexta-feira, quando esqueci o lançamento do livro do meu querido conterrâneo Raimundo Antônio. Estava toda programada e memória falhou. Isso me deixa muito brava comigo mesma. Mas não tenho o que fazer. Agora vou ter que anotar e, mesmo assim, não garante sucesso.

Este trauma me serviu de alerta, pois, desde que entrei para a educação, procuro trazer os conteúdos o mais próximo possível da realidade dos alunos. Especialmente procurando desmistificar que a matemática é um bicho de sete cabeças. De sete cabeças é a maneira como esta é ensinada nas escolas.

Mas espero que este quadro mude, afinal há muitos estudos e experiências sobre novas técnicas de ensino, envolvendo atividades práticas, com os mais variados instrumentos pedagógicos, que tornam regras em conhecimentos palpáveis. Como exemplo, posso citar o trabalho interdisciplinar entre as áreas de conhecimento, que, quando bem feito, é possível ao aluno em um texto destacar assuntos que permeiam várias disciplinas.

Portanto, já vemos luz no fim do túnel com as práticas modernizadas – atividades simples - de alguns mestres. A quem parabenizo aplaudindo de pé. Pois, estes, não enferrujaram no tempo, mas sim, avançam com ele. Estão constantemente estudando e procurando se modernizar. E, são, exatamente, estes mestres que conseguem manter seus alunos em sala de aula, sem se sentirem cansados. Suas aulas não são exaustivas, tendo como recurso pedagógico apenas o quadro e o giz. Elas extrapolam janelas e portas das salas de aula; pulam os muros da escola, mesmo os alunos estando sentados em sua carteira. Porque são aulas instigantes, que fazem os alunos usarem o mecanismo do pensar, desenhando suas próprias idéias no painel de suas mentes. Estes, são mestres que estão cumprindo com a verdadeira missão de educar: fazer com que seu aluno veja o mundo através da lente de seus olhos; descubra o seu potencial, para poder garantir seu lugar de cidadão no mundo.