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sábado, 2 de julho de 2011




TRAVADA PELA SAUDADE


Bem sei que nos últimos meses ando meio parada. Tão quieta no meu canto. Pareço até estar escondendo-me de mim. Se é que isso pode acontecer – esconder-se de si mesmo – para não ver ou sentir o que se passa ao redor.


Mas não precisei de esforço algum para me dar essa resposta. Na verdade estou travada. Travada pela saudade que sinto de você. Sinto falta do riso em teu olhar, do beijo que me serve de combustível, do toque de tuas mãos dedilhando meu corpo. Este tão acostumado às suas carícias, que, por não tê-las, está esquecendo do sol que brilha lá fora, enquanto permaneço no escuro do meu ser vazio. Vazio de você.


Estou vivendo apenas de recordações de nós dois. Chego até a sentir o calor de nossos corpos suados de prazer, o gosto dos beijos molhados, apaixonados. Passa em minha tela do pensar o filme de uma história longa e bela que não teve a pretensão de acontecer. Mas aconteceu! Porque coração é chão que não se pisa. Portanto, não temos nenhum controle sobre ele. O que nele acontece vai muito além da razão. Pois é impossível trilhar caminhos da razão quando surge tão forte uma emoção, capaz de nos fazer flutuar com os pés no chão. Emoção que te faz rir sem um motivo aparente. Mas você rir de felicidade e de si mesmo. Vendo-se como uma adolescente que conheceu o seu primeiro amor e deixou-se roubar o seu primeiro beijo tímido. Mas sabendo que muitos outros viriam e todo seu corpo pedia por isso. Enquanto sua alma enchia-se de encantamento que escorria pelo seu olhar brilhante.
E vieram outros tantos encontros. Cada um mais especial que o outro. Encontros cheios de risos, encanto, amor... Fazendo a vida se encher de cor.



As cores persistem a cada novo amanhecer, mas a saudade se faz tão forte que trava um coração apaixonado, que almeja dividir cada segundo respirado num mesmo espaço. Porém este espaço vai se espaçando, sendo preenchido por um rio de saudades que sangra de um coração apertado sem forças para obstruir esta sangria.


E, assim a vida passa. Corre tão ligeira que muitas vezes perdemos suas rédeas e quando as encontramos, tentamos afixá-las nas mãos, como se assim o tempo amenizasse um pouco a sua carreira e possamos destravar o coração num abraço apertado, que a vida nos deve.

sábado, 6 de março de 2010

EDUCAR É POSSÍVEL



O mundo, em suas transformações, nos deixa meio perdidos. E, muitas vezes chegamos a pensar que o errado hoje é o certo. Por isso pagamos caro quando realmente adentramos o caminho ardiloso de educar.


Faço parte do quadro de gestão da Escola Estadual Prof. Hermógenes Nogueira da Costa em Mossoró/RN (Ensino Fundamental II e Médio) e, após uma longa lista de reuniões, por setores, nos preparamos para recebermos os alunos de forma bem estruturada para darmos início ao ano letivo, segunda-feira (01.03.10).


Para início de conversa, organizar uma instituição pública é uma tarefa por demais difícil. Isto porque há uma cultura de que tudo que é público é bagunçado. Discordo! Onde há pessoas capazes as instituições funcionam bem.


Portanto, como nosso objetivo é trabalharmos em equipe, tarefas foram distribuídas e, aos poucos, sendo realizadas. Embora enfrentando algumas rejeições, por parte de alguns colegas que repousam em sua zona de conforto. Puro marasmo!


A priori, cada setor precisa saber suas atribuições. O que foi repassado através de reuniões por setores, conforme citei acima. Pois a partir do momento que você recebe suas atribuições caminha fazendo a sua parte. O que é suficiente para um trabalho engajado. Ninguém precisa se sacrificar trabalhando demais quando cada um faz o que lhe compete.


Sendo assim vícios vão sendo deixados no passado e visualizamos um futuro mais comprometido com o sucesso. O que faz bem a todos. Evitando assim o desperdício de energia com a falta de ética profissional.


Ultrapassando essa barreira, vem outra bem pertinente: alguns alunos, por falta de normas estabelecidas em casa, talvez, rejeitam as regras de convivência na escola. O que demonstra o quanto é grande a nossa responsabilidade porque, hoje, fazemos o papel de professor e muitas vezes de pais.


Sabemos que a nossa geração foi educada nos padrões de repressão. Somos frutos de ditadura, aprendemos a sentar em fila nas salas de aulas, a calarmos para ouvir os mestres, etc. Entretanto, com os avanços sociais, a criação do Estatuto da Criança e Adolescente, entre outros, os pais parecem que perderam os trilhos de uma boa educação na família. Provavelmente por desconhecerem o verdadeiro sentido de liberdade, e pagam caro pela falta de limites dos filhos da era tecnológica. E, assim a escola fica com uma carga maior nesta função.


Entretanto, sabemos que os valores morais, por mais gastos que estejam ou fora de moda como dizem alguns jovens, ainda é o caminho para uma sociedade equilibrada. Cabendo então à escola fazer este resgate através de exemplos claros para facilitar a compreensão do aluno. O uso da farda, o cuidado com o patrimônio público, o respeito no trato com as pessoas são atitudes cidadãs. E vale muito a pena ser correto! Cumprir com seus deveres para poder reivindicar seus direitos.


Essa é a nossa proposta de trabalho, que já aponta resultados gratificantes. Pois é ensinando que aprendemos a cuidar bem do mundo. E, quando estamos voltados para darmos o melhor de nós por uma causa justa, até os mais insatisfeitos aprendem a valorizar atitudes saudáveis.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MELHORIAS NA EDUCAÇÃO



Há, aproximadamente, dez anos as políticas educacionais veem aplicando instrumentos avaliativos para verificar o nível do ensino público no Brasil. Instrumentos como: Provinha Brasil, ENEM, Olimpíada de Língua Portuguesa, Olimpíada de Matemática, entre outros. E os resultados não são animadores. Daí a necessidade de investir em outros recursos que possam contribuir com a melhoria na educação pública do nosso país.


Percebe-se que o governo federal não está medindo esforços para reverter esse quadro. Acredito que em virtude dele ter nascido nordestino e pobre, ter vestido na pele grandes dificuldades, é consciente que a educação muda à vida das pessoas. Por isso está investindo grandiosamente nesta área. A prova é que no RN havia dois Institutos Federais e em seus mandatos este número aumentou para doze.


Outro feito importante está sendo estudado para o ensino básico. É o Ensino Médio Inovador. Um projeto ousado, que se posto em prática conforme seus objetivos, vai mudar satisfatoriamente a cara do ensino médio.


Felizmente sou privilegiada em ser uma das pioneiras neste projeto. A partir de seu momento embrionário, onde pequenos grupos de algumas escolas de Mossoró, passou a estudar as diretrizes vindas do MEC para a implantação deste projeto. Realizamos encontros em finais de semana para estudarmos e montarmos o projeto. Foram momentos árduos. E em virtude das dificuldades e falta de credibilidade algumas escolas desistiram. Mas, nós continuamos lá fortes, apesar do cansaço. E, para nossa alegria, dia 21/12/09 em Natal, ficamos sabendo que apenas onze escolas em todo o RN foram contempladas com o Ensino Médio Inovador, entre elas a Escola Estadual Hermógenes Nogueira da Costa, a nossa.


Este projeto vai ser implantado gradativamente, iniciado pelas 1ªs série do Ensino Médio do turno diurno, uma vez que a carga horária vai ser ampliada. O que não é possível para o turno noturno. E deve ser iniciado no turno que tem o maior número de 1ªs séries, que seja no matutino ou vespertino. Portanto, em 2010 este projeto abrangerá as 1ªs, em 2011 as 2ªs e em 2012 as 3ªs séries do Ensino Médio.


Vai haver mudanças consideráveis na estruturação do ensino e na estrutura das escolas. As salas de aula serão equipadas especificamente para atender aos alunos por área de conhecimento. Ao invés dos professores mudarem de sala, isto agora será tarefa do aluno. A estrutura curricular também vai passar por modificações. E o período letivo passará a ser semestral.


Para a efetivação deste projeto diretoras, coordenadoras pedagógicas e professores por área do conhecimento das escolas contempladas com o Ensino Médio Inovador, estão sendo treinados no Rio de Janeiro no período de 18 a 24/01/2020. Certamente, trarão na bagagem esperança alicerçada por conhecimento que contribuirá para um ensino de melhor qualidade.


Enquanto isso aguardamos, aqui na escola, o retorno dos colegas do Rio de Janeiro para juntos arregaçarmos as mangas e pormos em prática o Ensino Médio Inovador, confiantes de que novos ventos soprarão melhoria na qualidade da educação em nossas escolas.

sábado, 26 de dezembro de 2009

NOVOS TEMPOS NA EDUCAÇÃO




O mundo muda a passos largos e essas mudanças são vistas a olho nu. O recurso tecnológico que ontem usamos como moderno, hoje já está ultrapassado. E assim a sociedade vem passando por transformações constantes, evoluindo velozmente.
Enquanto assistimos ou acompanhamos esta evolução social, tecnológica e cientifica a escola dorme tranqüila em sua zona de conforto. Acreditando estar tudo bem. Afinal, ela continua desempenhando o seu papel, o aluno é quem mudou e não quer mais nada. Até porque seus pais nem vêm à escola saber como eles estão.
Bom, o fato é que há algumas controvérsias neste pensar. Primeiro, a escola, sem perceber, deixou bem atrás a sua verdadeira função: educar. De mostrar ao aluno portas para realização de seus sonhos. Acredito também, que de alguma forma a escola afastou os pais de suas dependências. Isto porque durante muito tempo estes só eram chamados para ouvir reclamações de seus filhos mal comportados. E, convenhamos, por mais indisciplinado que seja o aluno, ele tem algo que merece ser elogiado. Mas parece que educar é só apontar erros, sem valorizar os acertos, por menor que sejam. Por outro lado, há inúmeras questões que levam um aluno a ser indisciplinado, desde problemas de visão e/ou dislexia até distúrbios comportamentais.
Para isso é mister que boa parte dos educadores ultrapassem a fronteira da ignorância e pisem no terreno plano do conhecimento. Pois, grande parte dos educadores desconhece como funciona o cérebro humano, como um aluno aprende. E, atuam nos dias atuais conforme foram tratados pelos seus mestres. Usando apenas os conhecimentos adquiridos em práticas sem aprofundamento teórico.
Por esses e tantos outros motivos nos deparamos com o caos na educação brasileira: educadores fazem de conta que ensinam e alunos fazem de conta que aprendem. E quem perde com isso é a sociedade. Que por sua vez, tanto educador, como aluno é membro dela. Enquanto isso se percebe uma bola de neve crescendo assustadoramente.
Entretanto, é possível ver uma luz no fim do túnel. Isto porque os novos gestores das escolas estaduais do Rio Grande do Norte, eleitos para o biênio 2010 e 2011 estão sendo pioneiros numa formação direcionada ao processo de gestão. Que teve inicio nos dias 21 e 22/12/09 em Natal/RN. Onde tiveram a oportunidade de discutir sobre o tema com autoridades renomadas como a Dra. Heloísa Lück.
Segundo Lück “A escola é uma organização que sempre precisou mostrar resultados - o aprendizado dos alunos. Porém nem sempre eles são positivos. Para evitar desperdício de esforços e fazer com que os objetivos sejam atingidos ano após ano, sabe-se que é necessária a presença de gestores que atuem como líderes, capazes de implementar ações direcionadas para esse foco. A concepção de que a liderança é primordial no trabalho escolar começou a tomar corpo na segunda metade da década de 1990, com a universalização do ensino público. A formação e a atuação de líderes, até então restritas aos ambientes empresariais, foram adotadas pela Educação e passaram a ser palavra de ordem para enfrentar os desafios”.
Segundo o secretário de educação do RN, o Sr. Rui Pereira, este foi apenas o início de vários fóruns que haverá com esta finalidade. E eu, como um desses membros desta nova gestão muito entusiasmada fico por acreditar na possibilidade de fazermos a diferença nesta perspectiva de uma gestão democrática voltada para apresentar resultados educacionais positivos. Onde toda a sociedade seja beneficiada.
Sou consciente dos inúmeros problemas a serem enfrentados, especialmente os que se referem aos vícios do funcionalismo público enraizado em outras gestões: assiduidade, pontualidade, apoderamento do patrimônio público, entre outros. Mas acredito que quando cada um exercer “vestir” o empoderamento (se sentir membro de uma equipe) novos ventos soprarão a educação brasileira.
Portanto, vamos à luta!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

SER PROFISSIONAL



Vivemos uma época em que o mundo e o mercado de trabalho exigem que sejamos profissionais. Isso me remete a este conceito ao pé da letra. Ser profissional envolve competência, habilidades e ética. Precisamos ter competência para saber viver bem e desenvolvermos habilidades para não prejudicar o outro ou o planeta no desejo de atingir nossos objetivos. E, principalmente, sermos éticos evitando assim uma maior destruição moral.
Observo que a competência e as habilidades vão sendo adquiridas ao longo da vida do ser humano, mas sinto que boa parte, ainda esbarra na ética. Em se tratando da satisfação das nossas vontades tudo é permitido. Então vale até sermos desonestos para chegarmos ao objetivo final: satisfazer o egoísmo do nosso eu!
É explicado pela Psicologia, que o ser humano sente uma necessidade vital de aparecer, estar em destaque. E, convenhamos: quem não gosta de aparecer? Eu adoro! Entretanto, só aparece quem se mostra. E, só se mostra quem pode. Quem tem conteúdo para mostrar. E, os que a vida lhes tira este conteúdo, para estarem em evidência se jogam no mundo totalmente fora da ética.
E aí habita um grande problema que impera até dentro das escolas. O que, a meu ver, deveria ser um ambiente totalmente ladeado pela ética e o desenvolvimento de habilidades e competências. Afinal, lá estamos trabalhando com mentes humanas. E, nada mais correto do que primar pela sanidade. Mentes sãs, povo sã. E, o mais interessante nisso tudo é que boa parte dos educadores ainda não compreende porque a educação não educa mais. Só não enxerga quem se nega a ver. Somos exemplos e estamos sendo, em muitos casos, péssimos exemplos.
Posso citar um fato recente para ilustrar essa minha afirmação. Trabalho há vinte e três anos em escolas e sinto muito prazer em educar, conviver diariamente com gente. Gosto de gente, do cheiro do povo, especialmente, dos meus amados alunos. Não sou professora de sala de aula, mas sim: de vida! Como pedagoga, meu maior compromisso com os alunos é mostrar-lhes a necessidade de se aprender a viver bem consigo, com o outro e com o mundo! Deve ser por isso que posso sentir no olhar de cada um o quanto sou amada por eles. E, então me jogo nesta vida maravilhosa de educadora sem medo de ser feliz. Não perco meu tempo reclamando de salário baixo, ensino meus alunos a serem comprometidos com o saber para mais tarde poderem reivindicar seus direitos. Uma vez que nós educadores nos perdemos no mar das lamentações.
O fato é que sempre trabalhei nas duas redes de ensino: pública e particular. E, como tenho o que agradecer a ambas pelo que aprendi. Na primeira aprendi a lutar mais e reclamar menos e na segunda aprendi a realizar minhas atividades com competência.
Este ano resolvi me dedicar exclusivamente a rede pública de ensino, por isso aceitei um convite em fazer parte da chapa um para concorrer a vice-diretora da escola onde trabalho. Tenho minha maneira bem particular de ver as eleições para a escolha de gestores dentro de uma escola. Infelizmente, muitos colegas agem como se estivessem participando de um pleito eleitoreiro qualquer. Como temos o que aprender para poder ensinar!
O interessante é que durante o período de campanha dedicado aos candidatos a gestores, pouco atrapalhei a normalidade das aulas. Aproveitei este espaço para mostrar o trabalho que fazemos dentro da escola em benefício dos alunos. O que é visível aos olhos dos mesmos. E, em momento algum, pedi voto. Voto é secreto, é opção democrática. Acredito muito na consciência humana quando bem trabalhada. Por isso visualizo, a cada dia, a possibilidade de um mundo mais humano.
Mesmo assim o resultado nas urnas me foi surpresa, sabia da consciência da comunidade escolar, mas não em nível tão alto. Vencemos com 75% dos votos em todos os seguimentos escolares. Quanta responsabilidade em nossas mãos! O que comprova minha convicção quanto ao mundo melhor e bem mais próximo de nós.
Mas como a ética anda ainda adormecida em bancos escolares, a chapa adversária, insatisfeita com a derrota grande, entrou com pedido de impugnação da eleição, sem alegações pertinentes, por desconhecimento do respeito à felicidade de quem trabalha para ver um mundo mais justo para todos.
O bom nesta história toda é que nossos alunos aprenderam que quando entramos numa disputa só há duas opções: ganhar ou perder. E, se ganhar festejar com respeito, mas é importante também saber perder.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SEXUALIDADE EM FOCO



Educar é minha missão. É sabido por quem me ler. Inclusive penso que meus leitores já estão cansados deste meu falar. Mas acontece que gosto do que faço e adoro falar sobre. Sei que há inúmeras barreiras que entravam a educação. Entretanto, acredito que podemos demoli-las.
Percebo bem isso quando olho para a carinha de um aluno, seja criança, jovem ou adulto. Sinto um carinho tão fresco, que, às vezes, me sinto como uma galinha de asas grandes que quer acolher todos seus pintinhos, meus alunos. E vejo tanta injustiça com eles, tantas inteligências tolhidas que, enquanto é possível, tento levantar o seu amor próprio. Devo ter alma de mãezona – sou de estatura pequena -, pois mexam comigo, mas se mexerem com meus alunos! E, o meu número de filhotes é grande porque não sou professora de sala de aula. Portanto, todos os alunos da escola são meus. E, o maravilhoso nisso tudo é que vejo nos olhos deles o seu amor por mim. Então há uma troca de energia muito positiva entre nós. Adoro fazer um carinho, dar um cheiro, mas quando é para puxar na orelha, dou cada puxão, que vejo lágrimas descerem em suas faces. Mas esta é minha função: educar! E, dizer não, mostrar um comportamento errado, faz parte. E o faço com muito amor.
É neste clima de borbulhar de felicidade que estamos na Escola Estadual Professor Hermógenes Nogueira da Costa, no bairro Abolição IV – Mossoró\RN. Pois é o período da AMOCC (Amostra Cultural e Científica), onde o tema em foco é: O Jovem e a Sexualidade.
Este tema foi resolvido ser trabalhado com os alunos em virtude da necessidade deles, uma vez que nossa escola apresenta um índice considerável de meninas grávidas. Isto sem falar nos problemas embutidos pelos meninos.
Após o tema escolhido, cada turma ficou com um sub-tema para desenvolver de acordo com a criatividade deles. E, inteligência, capacidades e criatividade são o que não faltam aos alunos, desde que o assunto faça parte de sua vida. Acredito que os conteúdos ensinados, na escola, só fazem sentido se estes se encaixarem na vida do aluno. Se vierem contribuir com a melhoria em sua qualidade de vida. E isso, nós educadores, precisamos saber demonstrar para os alunos. Caso isso não ocorra, eles – conteúdos - serão apenas montinhos de lixo encostado num canto do cérebro, esquecido logo pela memória.
Este evento teve a duração de dois dias (28 e 29.10.09), aberto a comunidade, onde foram decididas em grupo as atividades realizadas. O que são fartas: pesquisas, entrevistas, panfletagens, palestras, exposições, depoimentos, apresentações: dança e teatro, decoração de ambientes, entre outras. O que mais me encanta nisto tudo é que são os próprios alunos vão à luta e organizam as atividades, supervisionados por professores. Nós cuidamos de comunicar a imprensa para registrar este evento em sites, jornais e televisão.
Num evento deste tantas habilidades e competências são desenvolvidas conforme a estrutura do novo ENEM requer que fica dispensado o uso daquela tão conhecida e enfadonha prova. O terror das escolas! Quem nunca perdeu noites de sono por causa desta malvada? E, por causa do estado emocional abalado, além de não dormir, no dia seguinte ainda tirou nota baixa. Isto prova que a prova não prova conhecimento de ninguém! Entretanto, é o modo mais fácil de classificar e rotular o aluno, desconsiderando suas capacidades.
O fato é que muito ainda precisa mudar nas escolas, desde compreensão a posturas nossas: educadores. Enquanto isso vamos abrindo caminhos entre as adversidades, mostrado que é possível sim fazer educação de qualidade em nossas escolas. Basta acertar no ponto de interesse do aluno, que este deslancha a criar.
E, esbanjando criatividade e capacidade, três jovens de nossa escola, querendo demonstrar seu talento para promoter sugeriram encerrar este evento com uma discoteca. Inicialmente, muitos empecilhos – mania de brasileiro – foram apontados. Mas, como vejo possibilidades em tudo, resolvi assumir com eles. Portanto, coordenei esta atividade e foi sucesso total. O que não representou, para mim, novidade alguma porque conheço o potencial de todo ser humano, o que lhe falta são oportunidades.
Fiz questão de receber o projeto pronto para a realização da discoteca: local do dance, esquema de segurança, orçamentos, horário: inicio e término, proibição de bebida alcoólica etc. Frisei que só aceitava ambiente e equipamentos de primeira qualidade porque nosso aluno merece. E, assim aconteceu. Hoje posso ver a felicidade pousada no olhar dos “meus” filhotes e concluir que todo o trabalho valeu à pena. Mesmo nossa escola sendo localiza num bairro periférico, freqüentada por alunos com alguns distúrbios comportamentais, quando bem tratados, dão respostas positivas. O que reforça minha convicção: todo ser humano nasce bom, o trilhar do seu caminho é quem o desvirtua. Portanto, tenho muito que agradecer a Deus e meus colegas de trabalho por acreditarem em minhas loucuras de pedagoga. Amém!



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NOVO ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)



O mundo mudou. E, com ele, uma sucessão de mudanças se faz necessárias para se por nos trilhos, os vagões que trafegam o trem da vida. Trem esse que, inicia seu percurso, nos portões escolares. Lugar onde se trabalha a educação formal. Onde transita livremente o conhecimento por veículos diversos.

Portanto, já não há mais espaço para o ensino tradicional com base na decoreba de conceitos prontos. Para depois serem “vomitados” em provas. A vida é a prova que, hoje, o aluno precisa tirar boas notas para viver bem. Portanto o seu conhecimento precisa ser abrangente, já que esta é ampla.

E, com base neste parâmetro, surgem novas perspectivas de aprender: a conhecer, fazer, conviver e principalmente ser. Pois, neste mundo globalizado, onde predominam os ismos: individualismo, consumismo, selvagerismo... Se não voltarmos o olhar para o saber ser ético, respeitando os valores morais, sociais e ambientais, estaremos numa corrida desenfreada sem saber o rumo que este trem vai aportar.

É nesta visão que vem pautado o novo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Enfatizando que o aprendizado deve proporcionar ao aluno: conhecimento, procedimento, comportamento e valor. O que viabiliza um ensino voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades.

É bem verdade que o ensino fundamentado em competências não abrange uma visão original do processo ensino aprendizagem. Este conceito retoma aos princípios pedagógicos da Escola Nova, que colocou em prática a teoria educacional de Dewey – final do século XIX – tendo com um de seus propósitos inverter a ação pedagógica da escola Tradicional, dando mais ênfase a ação do que a teoria. Permitindo que os alunos percebessem um significado nos conteúdos escolares, uma vez que a escola partia de seus interesses e não de conceitos previamente estabelecidos.

Portanto, um ensino voltado para competências e habilidades envolve o desenvolvimento integral do aluno, contribuindo para a construção do ser: social e humano. Aquele que vem preencher as necessidades do mundo globalizado. Pois evolui, com um olhar voltado para si, o outro e o meio ambiente. Havendo aí, uma consonância entre os seres e o universo. Desenvolve a cognição: saber; percebe suas habilidades: saber + fazer; adquire atitudes: saber + fazer + ser. Afinal, de que serve ao homem o conhecimento, se este não souber transitar entre seus pares e o ambiente com ética.

O interessante é que há mais de vinte e três anos, quando iniciei minha carreira como educadora, já pensava e agia assim. Sempre busquei estudar, especializar-me em minha área e fazer leituras variadas, além de por em prática minhas convicções. E constato, hoje, orgulhosa, que meus ex-alunos são condecorados entre os melhores nas escolas que estudam. Para um educador, não há prêmio melhor do que ouvir isso. Saber que contribuiu, de forma positiva, para o crescimento de tantas crianças, jovens e adultos. São nesses momentos que abraço a felicidade, enquanto esta me sorrir perfumada.

Felizmente, tenho o prazer de continuar semeando, nas escolas, esse meu fio de esperança entre meus pares. Estou dando aulas aos alunos das 3ªs Séries do Ensino Médio para as provas do ENEM. Concomitantemente, oriento aos professores – sou coordenadora pedagógica – do 6º ao 9º do Ensino Fundamental II e Médio. E, recentemente, fiz uma pesquisa com alunos, professores e funcionários, da escola que trabalho, para saber a opinião deles quanto às aulas desenvolvidas através de projetos didáticos, que são orientadas por mim, a equipe de professores. E, as opiniões não me foram surpresas: todos percebem os resultados positivos. Desde o comportamento dos alunos a aprendizagem dos conteúdos, que é o foco da escola, mas não pode ser o único. O aluno é, antes de tudo, um ser humano. Por isso precisa ser regado, diariamente, com: carinho, atenção e respeito para consequentemente aprender os conteúdos propostos pela escola.

Penso ser fácil mudar o mundo. Difícil é fazer com que as pessoas acreditem nesta possibilidade, uma vez que vêm sendo massacradas por um sistema político, social desumano. Mas, enquanto isso, sigo pondo, aqui e ali, meu punhado de amor. E, quem sabe, juntando ao seu, vai crescendo... crescendo... e se torna uma montanha de amor pulverizando o mundo. Afinal, amar não me custa nada, além de simples batidas do meu coração saudável.