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sábado, 20 de junho de 2009

Esse meu espírito




Ah, esse espírito que habita em mim, é, por demais, faceiro, leviano, boêmio e extremamente livre. Sai de mim, está sempre além do meu corpo, e vagueia em sonhos. É tripulante de nuvens ligeiras. Este, tem uma energia tão exuberante, que me mantém ligada, energizada o tempo todo. Adora uma farra, vive dançando, sorrindo, cantando, brincando. Ele é muito feliz. Não se cansa, está sempre de braços abertos e de sorriso pintado, bem alegre, pra vida. E esta, por sua vez, tem sido uma parceira e tanto neste caminhar sempre à frente.
Meu espírito festeja cada amanhecer acompanhado de sol no céu azul. Mas se o dia estiver cinza, ele também festeja porque aproveita para aprender as lições da vida. E como a vida tem a nos ensinar. Quando seus sentidos captam o mormaço da tarde, se veste em festa e espera a noite chegar, em seu negro fera ,com pontos brilhantes. Muitas vezes iluminada por uma lua, ouro incandescente, que irradia mais este espírito vagueador, que viaja por outros planetas.
Entretanto, quando este põe os pés no chão continua em voo rasteiro, com asas bem abertas em queda livre. Livre de preconceitos e crenças que afugentam o bem viver. Em seu coração, bandoleiro, só coleciona ações que contribuem para o seu crescimento. Por isso não entende porque a sociedade amontoa regras e crenças que desencadeiam uma vida feliz. Claro que ele não tem aversão às leis que contribuem para se viver em harmonia socialmente, mas sim àquelas que desrespeitam a individualidade do ser.
Cada ser é único, exclusivo, não clone. Então por que padronizar? Coisas da sociedade moderna... Em virtude disso quantas pessoas não se sentem prejudicadas por não estarem no padrão ideal imposto socialmente. Outras doentes de anorexia, bulimia, entre outras. Por isso meu espírito está sempre de bandeira hasteada pela liberdade do ser.
Ser autêntico é ser vivo e não vegetativo, nem fantoche nas mãos dos controles sociais. Viva a liberdade de espírito, seja você mesmo. A felicidade está na autenticidade.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Meu novo amigo



Não sou como São Tomé, só vendo para crê. Mas há coisas que, realmente, gostaria de ver porque são bem inusitadas, pelo menos aos olhos de uma nordestina acostumada com um pessoal minguado por causa das grandes secas. Claro que há as exceções. Sol a pino, desidrata e enruga a pele, além de curvar a coluna vertebral, diminuindo de tamanho. Imagine que tamanho vou ficar se meço, apenas, um metro e meio. Mas, vale salientar, que a distribuição dos atributos neste, pequeno, espaço foi bem dosada. Desculpem-me pela falta de modéstia. Aliás, modéstia, segundo um grande estudioso - que no momento não lembro o nome - é para pessoas fracas. Portanto, dispenso essa palavra. Nem sou hipócrita de usá-la só para agradar aos que fazem questão de serem modestos, o que não tenho nada contra. Quando sei, estufo o peito, sem medo de ser feliz e abro o bocão. Claro que, este bocão, é só um modo de falar, até porque, meu espaço é pequeno. Entretanto, quando não sei, reconheço minha ignorância. Cada um tem seu jeito de ser, o que devemos respeitar.

Bom, essa conversa toda é pra puxar um outro fio da meada. Tenho muitos amigos no Recanto das Letras - espaço online para escritores digamos, não reconhecidos- o que me deixa maravilhada porque, a cada, dia conheço novas pessoas. Tem coisa melhor que fazer amizades? Eu adoro! Não é que, recente, li um comentário de alguém que estava chegando neste espaço dos amigos. Curiosa, fui ver quem era o dito cujo. O bom foi que descobri um cronista de primeira. Mas, confesso que quando fiz a primeira leitura de uma das suas crônicas fiquei impressionada. Ora, ele começa pedindo para imaginar um cara com um metro e noventa, calçando coturno quarenta e seis. É um armário ou escada pra tirar coco aqui no nordeste? E, quando aos coturnos, pensei: durmo bem acomodada dentro de um deles. Isso se o moço não tiver chulé. Bom, acredito este não ser o caso, afinal é um moço de metrópole, limpinho. Assim espero! Porém, vendo a coisa por outro lado: a vida do paulistana é muito corrida. Será que este, tem tempo suficiente pra lavar esta caixa d’água? É, deste tamanho, não entra na classificação de sapatos. Paciência, quem sabe, um dia, saberei. Quando esse este dia chegar, imagine, a minha situação, pra bater um papo com este figurão. Com certeza, ficarei com um torcicolo dos diabos. Bom, mas o que importa se ele é amigo? Pode até ter bigodes de foca e nariz de tamanduá. Lembrei-me de uma música que fala sobre amigo.

Um fato, bem curioso, que descobri é, quanto aos seus gostos gastronômicos: só come massas, lanches, entre outras baboseiras, que, enfim, ao meu ver, nada nutritivo. Deve ser por isso que ele cresceu tanto na vertical, o que me remete a pergunta: Será meu novo amigo um palito de macarrão? Terá carne suficiente para um pastel? Também não importa, é amigo. Até andei lhe dando uns conselhos gastronômicos, nordestinos, para ele incluir em seu cardápio: feijão, arroz e mato verde e colorido (verduras). No entanto, o cara descartou, de imediato, a oferta de sopa de mandioquinha. Fez uma careta terrível e disse que detesta esta belezura de alimento. Entretanto, um dia se mostrou macho, pacas, e ingeriu sopa de mandioquinha só para não desagradar uma ex futura sogra. Meu Deus, o que não fazemos por amor.

Continuando com a gastronomia nordestina, meu amigo precisa conhecer nossos pratos típicos: mão de vaca, rabada, panelada, buchada, feijoada, mungunzá, cabeça de bode. Este nem precisa se preocupar, pois é tudo diet e light. Diet dor de barriga da moléstia, a gordura escorre no mocotó (tornozelo).

Outra descoberta que fiz, foi ele declarar seu amor pelos bichanos, mesmo que no início, quando mais jovem, teve que “domar” o pai a aceitar esses peludos andando dentro de casa. Contei-lhe minha experiência com um bichano que possui e, confesso, não foi agradável. Por isso agora só me envolvo com gato de quatro patas, apesar de ser mais trabalhoso. Mas fazer o quê? É a vida.

O moço tem outras excentricidades... Mas estas ficam para um outro texto. Seja bem-vindo meu novo amigo ao recanto dos amigos!!!

domingo, 31 de maio de 2009

Domingo e lazer




Domingo, dia da preguiça, de visitar parentes, jamais de arrumar casa. É, porque passamos a semana trabalhando e se, no domingo, for fazer faxina, adeus vida. Todo corpo humano precisa de lazer pra repor as energias para a segunda feira. Hum, está já é amanhã, melhor nem lembrar e aproveitar o que resta do domingo. Para mim faço isso escrevendo que é uma das minhas grandes paixões. Tenho tantas que vivo de peito estufado e olha sem silicone. Não que eu tenha algo contra os peitos fabricados. Cada um paga o que pode para ficar turbinada. Felizmente a natureza foi bem justa comigo e me deu o que tantas pagam para ter. Amém mãe natureza. Mas com isso não quero dizer que sou perfeita apenas o silicone em mim não cobriria a minha necessidade. Ainda não ouvi falar em silicone que faça esticar verticalmente, só horizontal. Portanto, resta-me aceitar o meu defeito a vida inteira. O que, na realidade, não me incomoda porque apesar de viver na sociedade moderna não me deixo levar por certos perfis de beleza. Ainda bem, senão iria morrer traumatizada. Pense numa pessoa de bem com o espelho. Temos um caso de amor bem firme. Eu me amo!

Bom mas voltando à questão principal deste texto: o lazer. Este é tão importante em nossas vidas, pois revigora todas as nossas energias. E sabendo disso não dispenso uma boa farra ou visitar parentes e amigos.

Geralmente, aos domingos, quando não faço uma viagem mais prolongada de final de semana, gosto de ir filar a bóia na casa da sogra. Convenhamos quem não gosta? Por isso percorremos 110km, já que esta mora numa cidade vizinha a Mossoró/RN. Além do aconchego familiar desfrutamos, durante o percurso, de uma beleza natural de encher as narinas de ar puro e a alma de encantamento. Os olhos brilham diante de tanta beleza natural, um tapete verde sem fim, enfeitado com pedras arquitetadas naturalmente umas sobre as outras, com uma vegetação incrível sobre ou entre elas, especialmente cactos. Sou fascinada pela magia que a natureza põe a disposição da menina dos nossos olhos. E neste período de inverno há açudes cheios por toda parte. Sem falar na variedade de animais que vêm nos dá as boas-vindas à margem da estrada, enquanto pássaros flutuam sobre nossas cabeças. Tudo isso serve de lubrificação para nossa cachola abrindo os horizontes da imaginação que sai voando como os pássaros e volta com pensares bem abastecidos de uma riqueza sem igual.

Então eu me pergunto como o homem é capaz de destruir o que a natureza nos presenteia sem nada exigir? Fechando os olhos imagino um lugar seco de beleza e confesso me dar arrepios. Rogo a Deus consciência ao nosso povo para preservar o que ainda resta em nome da vida na terra. Até porque também não há silicone para repor as plantas, os animais, os rios, açudes... Pelo menos por enquanto ainda não tem.
Por hoje é só, dormir também repõe as energias para a segunda-feira.

sábado, 30 de maio de 2009

Só hoje percebi...


Só hoje percebi que postei textos que haviam sido escritos antes da reforma ortográfica. Aquela que não sei se veio para melhorar ou complicar a compreensão de uma língua que já é bastante complicada. Por isso peço paciência aos entendedores da gramática que passarem por aqui, pois vou corrigir todos.
Mas voltando a nossa língua, essa danada nos prega cada peça. Imagine que um simples acento altera uma frase inteira e uma palavra mal colocada ou mal interpretada atrapalha ou emperra a comunicação entre as pessoas. Já passei por cada situação, isso graças a minha língua que é solta como o vento. Bem que já tentei amarrá-la, mas o máximo que consegui foi mordê-la, o que de nada adiantou porque continua aprontando comigo.
Quanto à questão da língua escrita, com essa mudança ortográfica está dando muito nó em cabeças por aí. Ora desde que me entendo por gente que escrevo palavras de uma forma, agora tenho que escrever estas mesmas palavras de forma diferente. Assim não há neurônio que aguente. Imagine eu que nunca me dei bem com regras. Com isso não quero dizer que sou contravensora, mas tenho aversão a determinadas regras sociais que não condizem com meu jeito de ser. E as regras da língua portuguesa, essa que eu bem me lembre só decorei, no período escolar, a que se refere às palavras proparoxítonas que todas são acentuadas. Percebem meu drama? O fato é foi regra, ritual... estou fora, melhor dizendo estão fora da minha caixa do pensar. Mas assim mesmo venho driblando, escrevendo aqui, errando ali. Afinal pra que serve o danado do Aurélio? Pense num amigo fiel. Temos um excelente relacionamento, que acredito ter chegado ao posto de caso de amor.

Sorte têm os que estão aprendendo a escrever agora porque não sofrerão nada ou quase nada com as novas regras. Mas uma pergunta é pertinente: E os pais em casa que não se adaptaram a essas mudanças vão saber ajudar aos filhos nas tarefas de casa ou vão baratinar a cabeça dos pequenos. Veja só professora diz as normas atuais na escola, em casa os pais, enferrujados, repassam as que aprenderam. É um Deus nos acuda. Assim como são muitas coisas no Brasil. Bom, mas no Brasil tudo dar-se um jeito. Aquele jeitinho brasileiro.

E assim caminha a humanidade, de jeitinho em jeitinho, tornando-se fantoches nas mãos dos donos do poder, melhor dizendo, dos surrupiadores do poder. Porque o poder emana do povo. Pena o povo ser vendado antes mesmo de tomar consciência de sua força. E quanta força há no povo. Daria pra mudar o mundo, pra melhor, que fique bem claro!!!

Por hoje é só, sábado, cansada de uma semana cheia de trabalho, porém muito feliz. Bom fim de semana a todos!!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Loucuras a cinco (Retorno do encontro de recantistas em Natal/RN)


A semana apressou-se em passar. Segunda-feira adormeceu e num pulo, amanhecemos na sexta-feira. Hora de voltar pra casa após momentos maravilhosos de estudos e criação de laços afetivos. Uma diária num hotel, geralmente, fecha às 12:00h, então o remédio para não deixar pertences lá, seria começar a arrumar as malas, mesmo que de contra gosto. Não que voltar pra casa seja ruim, mas estender nossa estada um pouco mais num ambiente tão agradável nos faria mais felizes.
Mas como tudo que é bom dura pouco, por isso devemos espremer ao máximo aproveitando, vamos ao retorno a caminho de casa. Éramos quatro mulheres animadas e divertidas, cheias de responsabilidades esperando-nos no lar. Estender mais nossos momentos de descontração se fez verbo. Foi quando percebemos a noite se aproximando a passos largos e o percurso de volta bem extenso. Aí, veio à indagação: e se um pneu furar? Ninguém sabia, nem queria aprender a trocar. Aliás, ao meu ver, mãos de mulher não são para serviços grosseiros, especialmente as minhas que conservo unhas grandes. Não contei conversa. Em minha sala de estudos sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação, havia apenas uma figura masculina e, por coincidência, meu conterrâneo. Isto para mim não era apenas coincidência, mas sim uma oportunidade a vista.
Claro que sem nenhuma intenção convidei-o para viajar conosco. Este aceitou prontamente, o que me deixou animada.
Saímos do hotel por volta das 14;30h diretos ao shopping Midway Mool para comprar os presentes para os filhos. Ora, mãe ausente uma semana e chegar em casa de mãos abanando não seria perdoada. Afinal para que servem as mães? Para mimar e babar as crias. As minhas são lindas, inteligentes, estudiosas, responsáveis, humanas e com todos os defeitos da adolescência. Essa parte pula porque, às vezes, me deixam louca, mas sobrevivo.
Despedimo-nos do shopping e seguimos viagem para Mossoró, cidade do sol, sal, petróleo, águas termais... e minha cidade. Imaginem quatro mulheres juntas após tanto movimento na semana de estudos. Rolou de tudo, principalmente sobre homens. Mulheres casadas também falam em homens abertamente sem medo de serem castigadas, ora bolas. Uma zona, e o pobre do William, meu convidado, ouvindo tudo, tímido.
Em nome da presença masculina sugeri que mudássemos de assunto e começássemos a cantar, uma vez que por ter sido roubada quatro vezes, não ponho mais som em meu carro. Vida moderna, fazer o que? A modernidade vem com seu kit completo. Foi quando ecoaram vozes desencontradas em melodias de roedeira: Roberto Carlos e toda a jovem guarda. Claro que hoje temos belas músicas, mas os neurônios de quarentonas e cinquentonas não conseguem mais decorar uma letra inteira. O jeito foi cantar as que aprendemos quando adolescentes. De vez em quando uma parada para descansar a cabeça do William e discretamente perguntávamos se ele queria descer.
Maldade, descer na estrada escura, o jeito era aguentar as toadas, desentoadas. Lá pelas tantas o William quis contribuir com dinheiro para o combustível. Eu logo recusei, imagina se dinheiro era o nosso problema. O problema pode ser outro. Ele ficou de orelhas em pé. E eu que ainda não aprendi a ficar calada (tenho língua solta e atrevida) coloquei que não sou essa pessoa bondosa que estava parecendo. Na verdade o convite para dar-lhe uma carona tinha um motivo bem pertinente. Ele ficou só esperando a minha conclusão.
Foi quando falei que, na vida, há jogo de interesses e o meu interesse em trazê-lo conosco foi pensando num pneu furar, e, lógico quem iria trocá-lo? Ele, claro. Um homem entre as mulheres. Todos caímos na gargalhada, mas sei o William ficou rezando baixinho aos santos para este fato não ocorrer.
Já em Mossoró, ele foi o primeiro a chegar em casa e logo foi dizendo que havia se livrado da troca do pneu, mas a viagem não havia acabado. Falamos pra ele não ficar tão alegre porque se isso acontecesse, ligaríamos para o mesmo arranjar uma moto táxi para resolver nosso problema. Riso geral.
O bom de toda essa aventura é que agregamos mais um amigo ao nosso grupo. Éramos quatro loucas, agora acrescido de um louco, pois no fundo, apesar do medo que sentiu, ele adorou nossa viagem.
Valeu William pela companhia agradável e por aguentar a zoeira de mulheres felizes e de bem com a vida.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fugindo do concreto e do asfalto


Edifícios. É difícil a vista alcançar e diferenciá-los. São tão iguais. Gaiolas cheias de pássaros. Que cantam, falam, amam, sofrem... Nos edifícios há muita vida ressoando entre concreto. Há também flores nas janelas e, às vezes, no asfalto. Vida vive em tudo, basta abrir as pálpebras do mundo e enxergar.
Em busca de mais vida hoje(30/09/2008), feriado municipal da cidade de Mossoró/RN, dedicado a libertação da escravatura. De acordo com a nossa história, Mossoró foi a primeira cidade a libertar seus escravos antes da Lei Áurea.
Há controvérsias sobre este fato. Mas isto não vem ao caso. O que importa hoje é aproveitar o feriado. E saio eu em busca de lugares paradisíacos, com lindas praias e sossego.
O litoral nordestino é favorável a essas belezuras, e no meu Rio Grande do Norte é de encantar os olhos até onde eles alcançam. Bom, mas desta vez estou indo rever e conhecer praias novas no estado vizinho: o Ceará. Que também não deixa nada a desejar com relação a belezas naturais. Escrever enquanto viajo é impossível.
Peço licença para parar e na volta continuar escrevendo. Aposto que vocês não vão se arrepender desta leitura.
Agora, que cheguei em casa, após um belo banho e com os olhos felizes de mais da conta por terem sido agraciados com tanta imensidão do belo, retomo o texto iniciado anteriormente, para dividir com vocês os presentes recebidos por minha visão apaixonada.
Viajamos de Mossoró direto para Canoa Quebrada, distante de Mossoró, aproximadamente 100 km pela BR 304. Chegando lá você se defronta com o contraste entre dunas vermelhas e um mar verde. Uma festa para o olhar. Tantas falésias em formatos e tamanhos variados. Antes vale a pena passear por suas ruazinhas estreitas coloridas com lojas, bares e boates pra todos os gostos. Claro que pela manhã os bares e boates dormem sono bem merecido porque a noite foi intensa. E hoje é uma plena terça-feira numa vila de pescadores um tanto quanto já modernizada: antes chão de barro, agora ladeada por paralelepípedos. Mas ainda se mantém um espírito rústico, poético.
Para mim Canoa Quebrada é poesia pura. Cheia de encanto e magia! Pessoas de diferentes locais do mundo se encontram lá. Essa mistura de raças, línguas e cores geram uma miscigenação puramente poética. O belo encontra-se nas particularidades de um todo que recebe o nome também poético de Canoa Quebrada. Quantos textos e versos poderemos fazer com uma canoa? E quebrada? Daria um livro inteiro.
Do alto das falésias pra se chegar ao mar há longínquas escadarias entre dunas vermelhas, o que, de ante mão, já lhe proporciona uma excelente atividade física. Aí sim, após o último degrau você pode contemplar o mar bem pertinho e se jogar para o divertimento das ondas. Isto para quem gosta, eu prefiro só apreciar o mar. Tem sal, arde em meus olhos. Fui acostumada a me banhar em água doce de rio, córrego, açude, quando menina. Apenas entrego-me ao sol matinal olhando o mar e a cabeça marejando em pensamentos.
Ah, o mar, imenso pensar. E pra manter o pensamento ativo o corpo precisa ser alimentado por frutos do mar deliciosos que você pode escolher entre a variedade de restaurantes a beira mar.
E, agora, é hora de começar uma aventura, fazer o retorno pelo litoral, enfrentando o desafio do desconhecido e passagens difíceis. Mas tem coisa melhor que correr risco? Estar vivo é um risco, então porque não correr? Especialmente num lugar todo cartão postal. Meio a dunas belíssimas com diversas tonalidades de cores: vermelhas, marrons, cinzas, brancas. E todas juntinhas. Isto sem falar nas dunas que brincavam em três tonalidades, exuberantes. Encanto puro! Nunca havia visto maravilhas como as hoje.
Quem foi o arquiteto que as colocou ali tão radiantes? Nessa hora agradecer aos céus por poder enxergar é fundamental.
Mas uma aventura pra ser boa tem que haver um engancho, um imprevisto: carro atolou numas algas secas, porém molhadas por baixo, que cobriam boa parte da praia. Melhor, a maré enchendo e quase ninguém pra ajudar. Foi quando apareceram dois pescadores e com muito esforço e sujeira – eles ficaram todos enlameados - desatolaram o carro que cismava em permanecer encalhado esperando a chegada da maré.
Passado o susto segue o passeio até Ponta Grossa, outra praia maravilhosa do litoral cearense. Um verdadeiro paraíso. Ideal pra descansar ao som do mar e pássaros na copa de árvores nativas, ouvindo música ambiente do mais alto nível da MPB. A tarde foi chegando levinha trazendo uma brisa morna que sussurrou: feriado tá acabando, amanhã você trabalha e ainda tem que enfrentar a estrada. Mesmo assim continuo sonhando... e desejando ardentemente aproveitar cada minuto que a vida me presentear.

Para acessar as referidas praias é:
www.canoaquebrada.com.br - www.pontagrossa.com.br e bom lazer!!!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ser feliz pra sempre


É um desejo humano tomar posse da felicidade no decorrer de sua vida. Toda boa história termina com “... E foram felizes para sempre”.
Mas convenhamos, até a alma precisa de descanso, se recolher, pra reencontra-se dentro de si. Portanto, na minha janela de ver a vida, o feliz para sempre é tedioso. Como eu vou saber o que é realmente felicidade se nunca me encontrar e dialogar com a tristeza?
Felicidade e infelicidade são águas que eu preciso me banhar sempre, para poder me purificar. Purificação no sentido de aprender a ser. Ambas também são muito subjetivas, pois representam estado de espírito. E o meu espírito é por de mais faceiro e feliz, porém gosta de tranquilidade, momentos de solidão.
É lá que eu me encontro e faço uma festa comigo. Trocamos figurinhas, xingamentos, mas nos entendemos e aí volto à margem com uma força tamanha e ninguém me segura. Volto rocha pura. Posso voltar também árvore frondosa, com raízes bem fixas na terra mãe. E quando volto rio, sou de águas límpidas e correntes, em renovação constante. Posso pegar meu barco e navegar em mim. Vendo o céu azul aberto, largo, pousado em minha cabeça me fazendo florir, voar...
E vou aonde meu coração deseja ir. E é farto o querer do meu coração. Por isso precisamos dos contrários: pequeno/grande, alto/baixo... Sem essa dualidade jamais saberíamos o verdadeiro sentido de ser feliz.
Fomos todos enviados ao mundo pra sermos felizes e somos, embora muitos nem se deem conta. Vejamos, se estou viva, saudável e com disposição pra trabalhar não posso negar minha felicidade.
E por outro lado, se me falta algum desses requisitos, não posso abandonar a minha fé de vencer os obstáculos.
Portanto, na felicidade o que difere é a intensidade dos momentos que somamos à vida. Tem uns levinhos que nos acompanham diariamente, uns intensos que nos dão carona por relevantes momentos e têm os arrebatadores que eleva-nos aos céus, varando nuvens, brincado com pássaros em voos livres, e olha que nem fazemos uso da escada do João – o do pé de feijão - pra alcançar o paraíso. Só alcançamos, sem nenhuma explicação pra isso.
Aí é onde pode morar o segredo da felicidade, numa casinha misteriosa. Só quem sabe guardar bem a chave é que pode visitá-la. E devemos sempre agradecer por isso. Agradecer é verbo forte que deve ser constante conjugado em nossa vida, assim como a necessidade de respirar. Por isso ser feliz é palpável... Posso pegar a minha felicidade e amarrá-la em mim com um lindo laço cor de rosa. Troco apenas a cor do laço quando me entrego a felicidade da tristeza. E vejo o filme passar aos meus olhos de risos infindos de felicidade. Então sei que realmente ela mora em mim. E quando esta minha felicidade encontra o teu ser feliz falta espaço pra acomodar nosso encantamento. Aí enchemos a casa, a rua, a vida... o mundo da mais pura alegria de uma vida feliz.